Parte 07 – Recaída

Parte 07 – Recaída

“Perto dela era o lugar onde eu me sentia mais seguro, mas quem disse que ela era segura para mim?”


Eu pensava no que consistia toda essa mudança comportamental de Soraya, realmente ela não almoçou e muito menos jantou conosco, sua face estava mais pálida. Ale me disse que a irmã enjoava só de sentir o cheiro da comida, talvez estivesse grávida. Mas de quem?
Descobri que durante esse tempo, o tal ex voltou a procurá-la e que enfim eles marcaram um encontro, onde Soso pode ver quem havia amado e depois desse dia exatamente, seu comportamento mudou o que levou a minha vinda ao Paraná. De uma coisa eu tinha certeza, havia “dedo” ou algo mais do tal “filho do esperto” nessa história toda. Refleti tanto que acabei dormindo.
-Wend, acorda! – eu ouvi uma voz.
-Soraya? – perguntei assustado e muito sonolento.
-Estava sonhando com ela? –percebi a presença de Ale, cabisbaixa.
-Não!É que quem me chamava assim era somente ela e a voz parecia... - tentei me desculpar, mas não neguei que estava sonhando com ela.
-Sem problema!Já são dez horas da noite, trate de começar a se arrumar porque hoje a Medusa vai ferver!
-Ok! Vou tomar banho! – respondi dando um sorriso leve.
Tive que esperar Soraya tomar banho, enquanto Ale utilizava o banheiro da suíte de seus pais. Quando Soso abriu a porta, deu de cara comigo e ficou super nervosa, e tentou me empurrar, mas sua toalha havia caído.
-Ai que ódio, perdi a privacidade na minha própria casa!- ela disse tentando enrolar a toalha novamente no corpo, já era tarde meu anjo, eu não havia perdido nem um detalhe... -Uma moça não pode nem sair de toalha no corredor, porque tem um urubu tarado esperando captar qualquer deslize! –ela completou, dando baforadas.
Não respondi nada. Entrei no banheiro e fui tomar o meu banho. Quando já estava me secando, alguém bateu na porta e gritou:
-Dá a minha escova de cabelos!
Percebi que era Soraya. Repondi:
-Peça, por favor, primeiro!Onde estão as palavras mágicas nessa boca tão rosada e bela?
-Eu não vou pedir porcaria nenhuma, me dê a escova! – ela resmungou.
-Ah! Se quiser usá-la terá que pedir sim!-respondi firmemente.
Abri a porta deixando somente uma fresta que foi por onde a puxei para dentro do banheiro. Fechei a porta e ela ainda permanecia enrolada na toalha cor-de-rosa e eu em mesmo traje. Ela abriu o armário atrás do espelho e pegou a escova.
-Vem cá!Por que você está bancando a Bad girl?- e a segurei com força pelos braços.
-Me solta, me solta! –ela gritou.
-Não grita!Parece que só sabe gritar e tratar todos mal!-a apertei mais forte.
-Você está me machucando! –ela grunhiu.
“Será que é tão difícil assim, te mostrar, te explicar, será que é tão difícil assim te fazer entender que começou no inicio, mas terminou sem final? Será que é tão difícil assim para você?”
-Eu não vou te soltar até que me responda!
-Não te devo resposta nenhuma, e se afaste de mim! Na verdade eu não sei por que você veio, eu não preciso de você! – ela tentou me dar um tapa no rosto, mas quem dominava essa situação era eu.
-Claro que precisa, e eu preciso de você! – eu disse.
Agarrei-a pela cintura e fui me aproximando de seu rosto. Seus olhos estavam fixos, como um animal esperando sua presa. Aquilo não era certo, mas quem estava vendo para me julgar ou não?

Parte 06 – Um Recomeço


Parte 06 – Um Recomeço
“Aos poucos fui conhecendo o ambiente que me abrigaria nestas férias, o território do inimigo?”
S
oraya ligou o carro, e entrei com as minhas bagagens no banco traseiro, eu não sabia que ela já dirigia, foi uma surpresa vê-la ao volante. Ela ligou a rádio e pediu para que colocássemos os cintos. Tudo era novidade para mim. Soso como ela gostava de ser chamada deu uma gargalhada e partiu com o carro em uma velocidade razoável.
No rádio tocava a música “Alala” do grupo Cansei de ser sexy. Ale cantava e pelo retrovisor eu encarava aqueles olhos verdes vívidos, eles ainda estavam verdes. Soraya percebeu que eu a observava e me lançou um olhar maléfico, erguendo uma das sobrancelhas castanhas, meu corpo estremeceu.
Durante o trajeto ninguém disse uma sílaba se quer. Curitiba era verde, com muitas árvores, praças e ônibus, além da linha férrea que cortava a cidade. Eu pensava em mil coisas ao mesmo tempo. Fechei os olhos.
Quando os abri, já estávamos chegando à garagem da casa delas. Ale dava tapinhas na minha cabeça, enquanto Soraya saía do carro batendo a porta com força.
-Dormiu? –perguntou Alessandra.
-Não!Apenas relaxei, essa viagem foi um pouco cansativa!-respondi, arrumando minha roupa.
-Ao ponto de dormir, certo? –ela perguntou dando gargalhadas.
-Digamos que sim! –respondi, tentando encerrar o assunto.
-Vai querer dormir no carro?Saia!Quero lhe apresentar os meus pais!- ela disse, arrumando os longos cabelos pretos e lisos.
-Claro que não vou dormir aqui, só estou aqui porque você está aqui!-eu disse.
-E eu só estou aqui porque você está aí, Dryck vamos sair!Venha!-ela disse me puxando.
Peguei as minhas malas e fechei o carro. Alessandra me conduziu até a sala onde o senhor e a senhora Priesly me aguardavam. Ele segurava um jornal enquanto ela arrumava o cabelo cacheado.
Senhora Priesly tinha os cabelos castanhos claro, uma aparência agradável e alegre, já o seu esposo era grisalho e tinhas olhos claros como os de Soraya, assim como a filha de olhos vívidos ele se mostrava descontente com a minha presença na casa deles. Cumprimentei-os e contei como foi a viagem. Miranda me fazia muitas perguntas e eu tentava respondê-las.
Ale me mostrou o quarto onde eu iria ficar. Era azul com cortinas de cetim num tom mais forte do que as paredes havia uma cama de casal e um enorme guarda-roupa de mogno, ainda havia uma escrivaninha com uma luminária. Achei espaçoso e confortável e Alessandra me disse:
-Mas, quando sentir saudade, corra para o meu quarto ao lado, hein?- e deu uma risada semelhante aquelas gueixas em filmes de ação.
-Pode deixar! O quarto da frente é o dos seus pais?-perguntei enquanto olhava a faixa amarela na porta do quarto vizinho.
-Claro que não!Olha a faixa escrita “não ultrapasse”!É o da Soraya, e ela já me xingou um monte, por ter que olhar para a sua cara logo pela manhã!Descanse bastante que á noite quero te levar na Medusa!
-Ela não precisa ver a minha cara se a porta estiver fechada!O que é isso, Medusa? –perguntei.
-Uma das casas noturnas mais badaladas do Paraná, e é claro que a Soraya levará a gente, mas ela não se importará porque a amiga dela, a Sabry está aqui em Curitiba nessas férias!-ela me disse batendo as unhas na escrivaninha, me fazendo arrepiar com o barulho.
-Aquela garota do RPG?-perguntei me lembrando que a garota que jogava como Vick Paz se chamava Sabry e ela e Soso eram como “unha e carne”, mas se Alessandra não parasse de arranhar o móvel, iríamos brigar.
-Sim! Apesar de todas as atitudes estranhas dela, não perderia a oportunidade de se divertir e conversar com a Sabry!Agora descanse e nos veremos mais tarde!Beijos, bebê! –ela me deu um “selinho” e saiu saltitando pelo corredor.
-Tchau!- eu disse fechando a porta.

Parte 05 – A chegada


Parte 05 – A chegada
“Curitiba me aguardava como se eu pudesse renovar o ambiente, talvez eu fosse mesmo o ‘Salvador da pátria’”.
 “P
or que eu não consigo dormir, quando eu penso em você? Por que eu não consigo agir quando falo sobre você?”.(Why Can´t I?).Estas eram algumas das dúvidas que pairavam sobre a minha cabeça durante o vôo.Tentei me concentrar,mas a ansiedade me matava aos poucos,sempre fui muito ansioso,mas parecia que a minha alma não era contida pelo meu corpo,todas as emoções queriam ser extravasadas.
Finalmente, consegui liberá-las quando desembarquei em Curitiba, puxava uma mala com rodinhas e segurava outra, observava as pessoas, mas obviamente não conhecia ninguém, nada era familiar, fiquei aflito. ”I´ve had the time of my life” era a música que eu ouvia tocar na rádio do aeroporto e na minha cabeça incluía as cenas de Dirty Dancing que se alternavam com as cenas imaginárias de Mia e Diego.
-É ele! – ouvi um grito no meio da multidão.
Olhei ao meu redor, fiquei vermelho e já começava a me preocupar. Eu nunca fui corajoso, daqueles que bancam o herói para impressionar os outros, sempre fui o tímido, medroso e ansioso. Percebi o rosto de Alessandra entre a multidão, nervoso pisei no meu próprio pé, sujando a “biqueira” do meu All Star Player Speciality, o que me deixou irritado.
Alessandra pegou a minha bagagem de mão, nos beijamos e ela me abraçou tão forte que parecia a história da rã em dia de chuva. Segundo essa história, a rã pode ficar grudada em uma pessoa por um longo tempo, e só sai se chove algo do tipo, acho que não era a rã e sim a perereca, mas isso não faz diferença, o fato era que as minhas costelas doíam. Eu estava um pouco constrangido e confuso. Logo,que nossos lábios se separaram, pude perceber a garota da foto, vindo em minha direção segurando um sorvete.
-Wendryck, estou tão feliz em te ver!-disse Alessandra, me abraçando e liberando a última quantidade de ar em meus pulmões.
-Eu também!-tentei retribuir o abraço apertado, mas além de quase encobri-la, a presença de Soraya me incomodava a cada passo que ela dava.
-Então, o meu médico chegou?-perguntou Soraya com ironia em suas palavras. -Eu não sei de onde vocês tiraram que esse “quatro olhos” aí fosse a cura do que chamam de estresse e eu não preciso de ninguém, nem de amigos,família,nada pois quem vai passar na universidade sou eu e sozinha!
-Ele veio para o seu bem, Soraya!E não faça vexame no aeroporto que todos já estão nos olhando, e se fizer showzinho vou pedir para que o papai lhe interne no hospício!-alertou Alessandra, lançando um olhar furioso á irmã.
-Danem-se todos!E você... - apontou o dedo indicador na minha direção-Não se aproxime de mim, ouviu?Você sabe muito bem e mais do que ninguém que eu sou perigosa, só não imagina a proporção da minha periculosidade!-disse Soraya, dando uma leve mordida no sorvete.
-E você não conta com a proporção da minha astúcia, mas pode deixar!-respondi seguramente, mas internamente não me sentia nada confortável com aquela situação e só de imaginar o que viria por aí, me desanimava.
“Hasta que me conociste” tocava agora no aeroporto, talvez a música ideal para esse encontro fosse “Linger”, mas de acordo com a música da Anahí eu discordava se valeu a pena encontrá-la e sofrer por ela.
Caminhei rapidamente em direção ao estacionamento, Ale me contava todos os lugares bons para ir passear em Curitiba. Soraya se deliciava com seu sorvete de groselha, pelo que parecia ser como se fosse uma criança em pleno domingo no parque de diversões. Ela era mais bonita com atitudes tolas do que quando abria a boca, poderia permanecer quieta e com feição ingênua para sempre, não podia?Entramos no Fox vermelho vibrante, as portas foram trancadas e o ar condicionado ligado, apesar de que não fazia tanto calor, mas para quem estava acostumado a viver no frio intenso, um breve raio de sol poderia torrar os “miolos”.

Parte 04 – O convite


Parte 04 – O convite
“Aquele convite daria novos rumos a nossa história, e eu causaria mais danos na família Curitibana...”
-M
eu coração, quem nunca amou não merece ser amado!-eu disse á Alessandra. -Quem semeia vento colhe sempre tempestade, isso já dizia Vinícius!
-Eu sei, mas os meus pais estão preocupados com a mudança do aspecto da Soso!Ela parece um zumbi!Ontem eram cinco e meia da manhã e ela já estava pronta para ir ao cursinho, ou seja, ela nem dormiu!-ela me respondeu.
A mudança repentina de comportamento fez com que eu pensasse em parar de “fazer mal” a Soraya, eu era o motivo de sua aspereza e loucura. Descobri que a causa de tanto estresse eram os resultados dos vestibulares concorridos para o curso de medicina que ainda não haviam saído e que os pais dela queriam levar a minha neurologista á um psiquiatra e isso só a deixava mais ‘revoltada’.
-Eles não podem fazer isso, esse estresse não é loucura... Talvez uma terapia a ajude!-eu disse.
-E quem disse que ela está louca?Eles estão com medo de que tanta fúria se transforme em depressão!-me disse Alessandra. -Acho que você poderia nos ajudar, ela sempre confiou em você mais do que na própria família!
-Como?-perguntei assustado, mas me senti muito honrado em saber que alguém depositava confiança em mim mais do que eu mesmo.
-Venha á Curitiba!Quando entrará em férias?-ela me perguntou.
-Na próxima semana!Mas, eu não tenho onde ficar aí, além do que eu estou economizando para publicar o meu livro!-respondi tentando escapar.
-Não importa!Você ficará em casa... Há anos aquele quarto de hóspedes não recebe ninguém!-ela me disse.
-E os seus pais?Eles não vão gostar!-tentei fugir mais uma vez.
-Todos nós queremos o bem dela, e se quiser você poderá transferir o curso para uma faculdade daqui!-ela me disse.
Percebi que aquilo iria demorar mais do que eu pensava. Tentei escapar mais uma vez...
-Eu não ficarei por muito tempo!Meus amigos, minha família... -falei.
-Se você contar o motivo tenho certeza de que todos vão lhe entender,faça isso por mim e por ela!
Era loucura demais, ir á um lugar onde eu nem conhecia pessoalmente as pessoas, apenas conhecia os seus “íntimos” digitados diariamente na rede de computadores. E se tudo isso fosse mentira?Se eles fossem uma família de canibais?E se elas não fossem as garotas da foto?Poderia ser tudo um jogo de bandidos, mas bandidos ficariam quatro anos enrolando alguém?Não pude resistir à tentação de conhecer os bastidores, decidi ir viajar.
-Tem razão, vou contar á eles e no próximo sábado pegarei um avião para o Paraná!-respondi.
Contei o que acontecia e para a minha surpresa não tive interrogações e nem choros. Todos compreenderam que era uma boa ação, talvez uma “missão humanitária”, mas ninguém, nem eu mesmo sabíamos o perigo que me esperava no Paraná.
Comecei a fazer as minhas malas, coloquei quase todo o meu guarda-roupa em duas malas enormes que ficaram super pesadas. A maior parte do meu vestuário eram roupas de verão, mesmo que eu soubesse que Curitiba era considerada uma parte européia esquecida no Brasil. Não tinha tempo para complementar minhas roupas de inverno e afinal estávamos em pleno verão, impossível que fizesse frio no calor, deveria me preocupar com isso quando o inverno chegasse de fato.
Fiz as malas, e parei para pensar que aquela era a minha maior loucura que poderia cometer, e que esta poderia ser fatal. Eu não buscava esclarecimentos, buscava?Estava muito confuso em relação às quais atitudes teria de tomar. Soraya e Alessandra precisavam de mim e isso era tão “Super Nanny”. Uma precisava da minha presença, e a outra do meu carinho e conforto, mas eu não sabia diferenciar quem precisava do quê. Este seria um grande problema que me atormentava, e se o mais louco dessa história fosse eu?Cheguei ao aeroporto de Cumbica em Campinas, e logo embarquei.

Parte 03- Provocações
O
 meu melhor amigo na internet era o Fábio Assunção, ele não era o ator global, mas era muito legal. Jogava como Téo no RPG. Talvez, eu não devesse confiar tanto em quem eu não conhecia. Depois de um tempo,quando percebi que a minha relação com Soraya estava entediante, contei á ele e descobri que Fábio havia lançado suas propostas para a minha “bebê”.
Tudo era virtual, eu sabia muito bem disso, mas parecia tão real que acabei me irritando facilmente com muito ciúme. Soraya não respondia mais as minhas expectativas, parecia estar mudada, muito irritada. Fábio utilizava de perguntas para enfim descobrir se havia possibilidades com ela, no fundo eu sabia que ela o ignorava e que havia voltado a falar com o tal ex, o Curitibano.
Ela conseguia me provocar, irritar, tudo e as perguntas de Fábio só ajudavam e fortaleciam sua estupidez. Já não tinha mais dúvidas sobre o seu comportamento vil e maléfico, era vingativa. ”Se eu pudesse te apagar de mim e nunca mais lembrar cada verso que escrevi e que me fazia acreditar.”
Tomei uma atitude que poderia ser a solução para os meus problemas virtuais. A exclui do meu Orkut, MSN, bloqueei, ou seja, tomei todas as medidas para me isolar dessa que se transformou na minha tormenta. Talvez ela fosse o meu “carma” como os indianos dizem. De uma coisa não posso negar jamais, era Taurino e todo Taurino é bastante ciumento e até um pouco possessivo.
Aos poucos, as conversas com Alessandra, ou melhor, Ale me traziam conforto, carinho e alegria, tudo que perdi com a mudança repentina de Soraya. Ela não aprovava as atitudes bobas da irmã, me contava as opiniões e comentários sobre mim que a “hermana” lhe contava. Fiquei espantado quando me disse que Soraya me achava infantil demais para ela e que já estava cansada de bancar a minha psicóloga. “Your heart is black as night”.No meu aniversário de 18 anos, não recebi nenhuma mensagem ou recado daquela que um dia eu amei, ou amava?.
Para evitar situações futuras, contei á Fábio que ele deveria “desencanar”, pois Soraya faria o mesmo com ele, além disso, ela só o estava usando como motivo de provocações, assim como fez comigo para o seu ex, de existência duvidosa.
Seis meses se passaram desde o ultimato. Ale me disse que me amava no fundo eu ainda gostava daquela que me fazia voar nas profundezas da minha imaginação e que me prometeu guardar minhas cartas embaixo do travesseiro mesmo que se casasse com outro homem. Eu já estava na faculdade e vivia num ótimo momento de crescimento, descobertas e motivações.
Por um lado, eu não poderia enganar Alessandra, porém ela me ajudaria a apagar de uma vez por todas Soraya Priesly, uma erva - daninha em meio de meu campo imaginário. Então, disse a Ale que a amava também.
Geralmente, eu não paro para refletir as minhas ações, só penso nas conseqüências quando elas já estão existentes. Minha relação com Alessandra era divertida, muito engraçada, mas faltava digamos que a “cola, o grude” que eu tinha com Soraya, todo aquele lirismo, aquela troca de afetos que nos fazia sentir próximos e as preocupações com o outro, o que me deixava mais retraído e me fazia sentir que eu me entregava mais nesse relacionamento do que ela. Mas, eu sabia que a comparação com a irmã nunca daria certo, eu tinha que me contentar para não causar danos maiores.
Tudo corria perfeitamente bem que eu nem me importava mais se tudo estava certo ou errado. Eu vigiava o Twitter de Soraya e sabia que era recíproco quando ela respondia as minhas indiretas e ironias com muita raiva em suas palavras digitadas. De certa forma, isso me mostrava que o que eu fazia e escrevia a afetava, afinal o “amor platônico” dela estava com sua irmã agora.
Ale me contou que havia falado com Soraya sobre o nosso relacionamento virtual, e que a irmã havia quebrado um vaso, de tanta raiva que sentiu. Falou-me também que ela estava mais estranha do que antes e mal comia, seus olhos verdes estavam cada vez mais escuros. Seria minha culpa?ou havia algo a mais a ser revelado?
COMENTEM!
;D



✖My Blood✖Image✖




 





Parte 02- Cartas


Parte 02- Cartas

“Eu sabia que ela não era tão boa quanto parecia, mas eu estava hipnotizado.”
Soraya tocava teclado, e uma vez me mostrou uma foto em que usava uma camiseta rosa e tocava o instrumento. Um dia, recebi a proposta que encaminharia o meu futuro ou acabaria com ele. Ela queria o meu endereço para me enviar um cd com todas as músicas já gravadas do grupo “The Cranberries”, do qual “Linger” era a nossa música tema. Confesso que no princípio fiquei receoso, mas ela me disse que não iria me seqüestrar ou algo do tipo, eu já estava apaixonado e não resisti, o nosso amor era incrível mesmo sendo completamente impossível.
     Após algumas semanas, recebi um enorme envelope branco que continha um cd gravado no formato mp3, junto com uma carta, escrita em folhas de fichário do “Smilinguido”. Nela já havia planos sobre o casamento de Mia e Diego no RPG e dizia que me adorava e considerava o nosso “encontro virtual”, algo mágico. 
     Eu sempre acreditei no destino, porém não acreditava que o meu “primeiro amor virtual” me levasse tão longe. O Paraná me esperava algum dia. Um amor platônico, envolvendo dois jovens de estados diferentes, climas diferentes, ligados por uma rede, chamada internet e agora por cartas. Acho que o nosso amor pelo RBD e as músicas do grupo influenciavam na nossa paixão. Ela era perfeita, além de linda, me compreendia e isto era algo recíproco. A magia que nos unia surgiu no Natal, porém não sabíamos se esta poderia ser fatal. Começamos a planejar os nossos futuros, jurando que aquele amor todo, fosse eterno, talvez não fosse. Resolvi responder a carta dela. 
Nossos encontros sempre aconteciam aos finais de semana, talvez os dias mais esperados. Pude ouvir a voz dela duas vezes, era mágica como tudo, linda, apesar de que o meu microfone a distorcia um pouco. 
De uma coisa eu tinha plena certeza, nos amávamos e algo tão especial assim não seria perdido, seria eterno apesar de todas as circunstâncias. Nunca parei para pensar que tudo não passaria de uma loucura adolescente e que eu poderia me decepcionar com ela e vice-versa. 
Decepção? Esta palavra estava excluída do meu dicionário, Soraya não era uma paixão, era um vício incontrolável que havia chegado para ficar. Eu poderia estar hipnotizado ou algo parecido, mas a garota cujo nome tinha seis letras era magnífica. 
Tanta magnitude e demonstração de carinho diminuiu ou aumentou quando eu conheci melhor a sua irmã, Alessandra. Dois anos mais nova do que a minha Priesly, morena e cover da Maite, gostava de música assim como a irmã. Ela não tinha olhos verdes como a minha princesa, mas tinha uma simpatia e um alto-astral contagiante junto com a sua beleza. 
Minha “relação” com Soraya não havia sido abalada, mas eu percebia que algo mudara. Ela parecia mais “fria”, “seca”, “áspera” em suas palavras e demonstrava ser calculista em suas ações. Seria ciúme da irmã? Eu acreditava que não, pois minha relação com Alessandra era como “cunhados virtuais”. Uma vez no MSN, Priesly me disse: 
-Você sabe muito bem que eu não sou boa! 
Automaticamente eu me lembrei da música da Amy Winehouse, adorava essa cantora. Mesmo assim, eu continuei o meu relacionamento com a “estranha Soraya”, mas eu ainda não fazia idéia do futuro.


Parte 01- Á Primeira Vista


Parte 01- Á Primeira Vista

Era dia de Natal, talvez a melhor época para começar a planejar o ano novo, momento em que as pessoas se mostram mais sensíveis, amáveis e abertas para novas propostas. Eu tinha 16 anos, e neste ano não passaria o Natal com minha família, aproveitei a ocasião para entrar na internet.
No Orkut encontrei uma comunidade cujo nome era: ”Eu jogo RPG de Rebelde”, como o site em que eu jogava estava já havia algum tempo desatualizado, entrei no fórum da comunidade e encontrei um tópico feito por um garoto chamado Rafael, cuja foto era o Bart Simpson maquiado igual aos integrantes do grupo de rock, Kiss.
Não pensei duas vezes e me cadastrei como o personagem Diego Bustamante, e comecei a jogar. O primeiro lugar onde “postei”, um vocábulo muito utilizado no jogo foi o depósito. Depois descobri que haveria uma viagem em um cruzeiro para os personagens. Eu não sabia, mas bastaria um “click” para que a minha vida transformasse completamente.
Comecei a interagir com uma personagem, a única presente naquela noite de Natal, talvez ela fosse o meu presente, Mia Colucci. Após conversas descobri que o RPG era novo e que ela havia terminado com outro cara no RPG chamado “Rota RBD”. Ficamos conversando e depois de um tempo eu pedi o “MSN” da garota. Então, o assunto migrou do surreal para a realidade, o nome da garota que jogava era Soraya Priesly. Ela tinha uma irmã, Alessandra, que também jogava no fórum como a personagem Roberta Pardo.
Percebi na foto, ela era uma garota de cabelos castanhos, cacheados, olhos verdes como se fossem duas esmeraldas, usava uma camiseta preta e parecia estar deitada em uma cama. Ela me contou que os seus pais já estavam dormindo, sua irmã havia saído com algumas amigas e que ela estava com insônia.
Já era madrugada quando em um impulso fiz com que o meu personagem beijasse a dela no fórum. Talvez, aquilo fosse o maior erro já que eu não sabia e nem imaginava as conseqüências que isso me traria.
No ano novo, passamos juntos conectados. Durante a contagem regressiva, derrubei a taça de champanhe na mesa do computador, foi muita sorte não ter dado um curto circuito nos fios, contei a ela o ocorrido. Após esse dia, a nossa amizade foi crescendo e ela considerou que éramos já “amigos coloridos”. Trocávamos confidências e oferecíamos o que estávamos comendo ou bebendo ao outro pelo MSN, e conseqüentemente a troca de afetos dos personagens passou para a vida real. O elo se transformou de Mia e Diego apara Soraya e Wendryck, seria o destino?
Fomos nos envolvendo cada vez mais, sem pensar no risco que não conhecíamos a pessoa a quem dizíamos amar.Mas, o meu primeiro obstáculo era a distância, ela era do Paraná e eu de São Paulo.O segundo era que o cara com quem ela manteve um relacionamento em outro RPG, começou a ter ataques e crises existenciais no jogo.Seu objetivo era transformar a situação desagradável e nos deixar irritados,mas por enquanto ele não havia conseguido.
Descobri que ele morava em Curitiba, a mesma cidade que ela.Achei estranho, o fato de que eles nunca haviam marcado um encontro e mantiveram por tanto tempo uma relação virtual.Este fator me fazia duvidar da existência dele,e a não levar em consideração suas provocações diárias.Se eu quisesse permanecer “a salvo”, não deveria investigar profundamente as vidas dos outros.
  

Espero que gostem e que comentem! ;D

✖My Blood✖


My Blood





“Eu nunca pensei que a garota da foto, cujos olhos
eram verdes como duas esmeraldas pudesse me 
enlouquecer de tal forma”


My Blood


My Blood

Escrita por Wendryck Firmo


domingo, 28 de março de 2010

Parte 07 – Recaída

Parte 07 – Recaída

“Perto dela era o lugar onde eu me sentia mais seguro, mas quem disse que ela era segura para mim?”


Eu pensava no que consistia toda essa mudança comportamental de Soraya, realmente ela não almoçou e muito menos jantou conosco, sua face estava mais pálida. Ale me disse que a irmã enjoava só de sentir o cheiro da comida, talvez estivesse grávida. Mas de quem?
Descobri que durante esse tempo, o tal ex voltou a procurá-la e que enfim eles marcaram um encontro, onde Soso pode ver quem havia amado e depois desse dia exatamente, seu comportamento mudou o que levou a minha vinda ao Paraná. De uma coisa eu tinha certeza, havia “dedo” ou algo mais do tal “filho do esperto” nessa história toda. Refleti tanto que acabei dormindo.
-Wend, acorda! – eu ouvi uma voz.
-Soraya? – perguntei assustado e muito sonolento.
-Estava sonhando com ela? –percebi a presença de Ale, cabisbaixa.
-Não!É que quem me chamava assim era somente ela e a voz parecia... - tentei me desculpar, mas não neguei que estava sonhando com ela.
-Sem problema!Já são dez horas da noite, trate de começar a se arrumar porque hoje a Medusa vai ferver!
-Ok! Vou tomar banho! – respondi dando um sorriso leve.
Tive que esperar Soraya tomar banho, enquanto Ale utilizava o banheiro da suíte de seus pais. Quando Soso abriu a porta, deu de cara comigo e ficou super nervosa, e tentou me empurrar, mas sua toalha havia caído.
-Ai que ódio, perdi a privacidade na minha própria casa!- ela disse tentando enrolar a toalha novamente no corpo, já era tarde meu anjo, eu não havia perdido nem um detalhe... -Uma moça não pode nem sair de toalha no corredor, porque tem um urubu tarado esperando captar qualquer deslize! –ela completou, dando baforadas.
Não respondi nada. Entrei no banheiro e fui tomar o meu banho. Quando já estava me secando, alguém bateu na porta e gritou:
-Dá a minha escova de cabelos!
Percebi que era Soraya. Repondi:
-Peça, por favor, primeiro!Onde estão as palavras mágicas nessa boca tão rosada e bela?
-Eu não vou pedir porcaria nenhuma, me dê a escova! – ela resmungou.
-Ah! Se quiser usá-la terá que pedir sim!-respondi firmemente.
Abri a porta deixando somente uma fresta que foi por onde a puxei para dentro do banheiro. Fechei a porta e ela ainda permanecia enrolada na toalha cor-de-rosa e eu em mesmo traje. Ela abriu o armário atrás do espelho e pegou a escova.
-Vem cá!Por que você está bancando a Bad girl?- e a segurei com força pelos braços.
-Me solta, me solta! –ela gritou.
-Não grita!Parece que só sabe gritar e tratar todos mal!-a apertei mais forte.
-Você está me machucando! –ela grunhiu.
“Será que é tão difícil assim, te mostrar, te explicar, será que é tão difícil assim te fazer entender que começou no inicio, mas terminou sem final? Será que é tão difícil assim para você?”
-Eu não vou te soltar até que me responda!
-Não te devo resposta nenhuma, e se afaste de mim! Na verdade eu não sei por que você veio, eu não preciso de você! – ela tentou me dar um tapa no rosto, mas quem dominava essa situação era eu.
-Claro que precisa, e eu preciso de você! – eu disse.
Agarrei-a pela cintura e fui me aproximando de seu rosto. Seus olhos estavam fixos, como um animal esperando sua presa. Aquilo não era certo, mas quem estava vendo para me julgar ou não?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Parte 06 – Um Recomeço


Parte 06 – Um Recomeço
“Aos poucos fui conhecendo o ambiente que me abrigaria nestas férias, o território do inimigo?”
S
oraya ligou o carro, e entrei com as minhas bagagens no banco traseiro, eu não sabia que ela já dirigia, foi uma surpresa vê-la ao volante. Ela ligou a rádio e pediu para que colocássemos os cintos. Tudo era novidade para mim. Soso como ela gostava de ser chamada deu uma gargalhada e partiu com o carro em uma velocidade razoável.
No rádio tocava a música “Alala” do grupo Cansei de ser sexy. Ale cantava e pelo retrovisor eu encarava aqueles olhos verdes vívidos, eles ainda estavam verdes. Soraya percebeu que eu a observava e me lançou um olhar maléfico, erguendo uma das sobrancelhas castanhas, meu corpo estremeceu.
Durante o trajeto ninguém disse uma sílaba se quer. Curitiba era verde, com muitas árvores, praças e ônibus, além da linha férrea que cortava a cidade. Eu pensava em mil coisas ao mesmo tempo. Fechei os olhos.
Quando os abri, já estávamos chegando à garagem da casa delas. Ale dava tapinhas na minha cabeça, enquanto Soraya saía do carro batendo a porta com força.
-Dormiu? –perguntou Alessandra.
-Não!Apenas relaxei, essa viagem foi um pouco cansativa!-respondi, arrumando minha roupa.
-Ao ponto de dormir, certo? –ela perguntou dando gargalhadas.
-Digamos que sim! –respondi, tentando encerrar o assunto.
-Vai querer dormir no carro?Saia!Quero lhe apresentar os meus pais!- ela disse, arrumando os longos cabelos pretos e lisos.
-Claro que não vou dormir aqui, só estou aqui porque você está aqui!-eu disse.
-E eu só estou aqui porque você está aí, Dryck vamos sair!Venha!-ela disse me puxando.
Peguei as minhas malas e fechei o carro. Alessandra me conduziu até a sala onde o senhor e a senhora Priesly me aguardavam. Ele segurava um jornal enquanto ela arrumava o cabelo cacheado.
Senhora Priesly tinha os cabelos castanhos claro, uma aparência agradável e alegre, já o seu esposo era grisalho e tinhas olhos claros como os de Soraya, assim como a filha de olhos vívidos ele se mostrava descontente com a minha presença na casa deles. Cumprimentei-os e contei como foi a viagem. Miranda me fazia muitas perguntas e eu tentava respondê-las.
Ale me mostrou o quarto onde eu iria ficar. Era azul com cortinas de cetim num tom mais forte do que as paredes havia uma cama de casal e um enorme guarda-roupa de mogno, ainda havia uma escrivaninha com uma luminária. Achei espaçoso e confortável e Alessandra me disse:
-Mas, quando sentir saudade, corra para o meu quarto ao lado, hein?- e deu uma risada semelhante aquelas gueixas em filmes de ação.
-Pode deixar! O quarto da frente é o dos seus pais?-perguntei enquanto olhava a faixa amarela na porta do quarto vizinho.
-Claro que não!Olha a faixa escrita “não ultrapasse”!É o da Soraya, e ela já me xingou um monte, por ter que olhar para a sua cara logo pela manhã!Descanse bastante que á noite quero te levar na Medusa!
-Ela não precisa ver a minha cara se a porta estiver fechada!O que é isso, Medusa? –perguntei.
-Uma das casas noturnas mais badaladas do Paraná, e é claro que a Soraya levará a gente, mas ela não se importará porque a amiga dela, a Sabry está aqui em Curitiba nessas férias!-ela me disse batendo as unhas na escrivaninha, me fazendo arrepiar com o barulho.
-Aquela garota do RPG?-perguntei me lembrando que a garota que jogava como Vick Paz se chamava Sabry e ela e Soso eram como “unha e carne”, mas se Alessandra não parasse de arranhar o móvel, iríamos brigar.
-Sim! Apesar de todas as atitudes estranhas dela, não perderia a oportunidade de se divertir e conversar com a Sabry!Agora descanse e nos veremos mais tarde!Beijos, bebê! –ela me deu um “selinho” e saiu saltitando pelo corredor.
-Tchau!- eu disse fechando a porta.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Parte 05 – A chegada


Parte 05 – A chegada
“Curitiba me aguardava como se eu pudesse renovar o ambiente, talvez eu fosse mesmo o ‘Salvador da pátria’”.
 “P
or que eu não consigo dormir, quando eu penso em você? Por que eu não consigo agir quando falo sobre você?”.(Why Can´t I?).Estas eram algumas das dúvidas que pairavam sobre a minha cabeça durante o vôo.Tentei me concentrar,mas a ansiedade me matava aos poucos,sempre fui muito ansioso,mas parecia que a minha alma não era contida pelo meu corpo,todas as emoções queriam ser extravasadas.
Finalmente, consegui liberá-las quando desembarquei em Curitiba, puxava uma mala com rodinhas e segurava outra, observava as pessoas, mas obviamente não conhecia ninguém, nada era familiar, fiquei aflito. ”I´ve had the time of my life” era a música que eu ouvia tocar na rádio do aeroporto e na minha cabeça incluía as cenas de Dirty Dancing que se alternavam com as cenas imaginárias de Mia e Diego.
-É ele! – ouvi um grito no meio da multidão.
Olhei ao meu redor, fiquei vermelho e já começava a me preocupar. Eu nunca fui corajoso, daqueles que bancam o herói para impressionar os outros, sempre fui o tímido, medroso e ansioso. Percebi o rosto de Alessandra entre a multidão, nervoso pisei no meu próprio pé, sujando a “biqueira” do meu All Star Player Speciality, o que me deixou irritado.
Alessandra pegou a minha bagagem de mão, nos beijamos e ela me abraçou tão forte que parecia a história da rã em dia de chuva. Segundo essa história, a rã pode ficar grudada em uma pessoa por um longo tempo, e só sai se chove algo do tipo, acho que não era a rã e sim a perereca, mas isso não faz diferença, o fato era que as minhas costelas doíam. Eu estava um pouco constrangido e confuso. Logo,que nossos lábios se separaram, pude perceber a garota da foto, vindo em minha direção segurando um sorvete.
-Wendryck, estou tão feliz em te ver!-disse Alessandra, me abraçando e liberando a última quantidade de ar em meus pulmões.
-Eu também!-tentei retribuir o abraço apertado, mas além de quase encobri-la, a presença de Soraya me incomodava a cada passo que ela dava.
-Então, o meu médico chegou?-perguntou Soraya com ironia em suas palavras. -Eu não sei de onde vocês tiraram que esse “quatro olhos” aí fosse a cura do que chamam de estresse e eu não preciso de ninguém, nem de amigos,família,nada pois quem vai passar na universidade sou eu e sozinha!
-Ele veio para o seu bem, Soraya!E não faça vexame no aeroporto que todos já estão nos olhando, e se fizer showzinho vou pedir para que o papai lhe interne no hospício!-alertou Alessandra, lançando um olhar furioso á irmã.
-Danem-se todos!E você... - apontou o dedo indicador na minha direção-Não se aproxime de mim, ouviu?Você sabe muito bem e mais do que ninguém que eu sou perigosa, só não imagina a proporção da minha periculosidade!-disse Soraya, dando uma leve mordida no sorvete.
-E você não conta com a proporção da minha astúcia, mas pode deixar!-respondi seguramente, mas internamente não me sentia nada confortável com aquela situação e só de imaginar o que viria por aí, me desanimava.
“Hasta que me conociste” tocava agora no aeroporto, talvez a música ideal para esse encontro fosse “Linger”, mas de acordo com a música da Anahí eu discordava se valeu a pena encontrá-la e sofrer por ela.
Caminhei rapidamente em direção ao estacionamento, Ale me contava todos os lugares bons para ir passear em Curitiba. Soraya se deliciava com seu sorvete de groselha, pelo que parecia ser como se fosse uma criança em pleno domingo no parque de diversões. Ela era mais bonita com atitudes tolas do que quando abria a boca, poderia permanecer quieta e com feição ingênua para sempre, não podia?Entramos no Fox vermelho vibrante, as portas foram trancadas e o ar condicionado ligado, apesar de que não fazia tanto calor, mas para quem estava acostumado a viver no frio intenso, um breve raio de sol poderia torrar os “miolos”.

Parte 04 – O convite


Parte 04 – O convite
“Aquele convite daria novos rumos a nossa história, e eu causaria mais danos na família Curitibana...”
-M
eu coração, quem nunca amou não merece ser amado!-eu disse á Alessandra. -Quem semeia vento colhe sempre tempestade, isso já dizia Vinícius!
-Eu sei, mas os meus pais estão preocupados com a mudança do aspecto da Soso!Ela parece um zumbi!Ontem eram cinco e meia da manhã e ela já estava pronta para ir ao cursinho, ou seja, ela nem dormiu!-ela me respondeu.
A mudança repentina de comportamento fez com que eu pensasse em parar de “fazer mal” a Soraya, eu era o motivo de sua aspereza e loucura. Descobri que a causa de tanto estresse eram os resultados dos vestibulares concorridos para o curso de medicina que ainda não haviam saído e que os pais dela queriam levar a minha neurologista á um psiquiatra e isso só a deixava mais ‘revoltada’.
-Eles não podem fazer isso, esse estresse não é loucura... Talvez uma terapia a ajude!-eu disse.
-E quem disse que ela está louca?Eles estão com medo de que tanta fúria se transforme em depressão!-me disse Alessandra. -Acho que você poderia nos ajudar, ela sempre confiou em você mais do que na própria família!
-Como?-perguntei assustado, mas me senti muito honrado em saber que alguém depositava confiança em mim mais do que eu mesmo.
-Venha á Curitiba!Quando entrará em férias?-ela me perguntou.
-Na próxima semana!Mas, eu não tenho onde ficar aí, além do que eu estou economizando para publicar o meu livro!-respondi tentando escapar.
-Não importa!Você ficará em casa... Há anos aquele quarto de hóspedes não recebe ninguém!-ela me disse.
-E os seus pais?Eles não vão gostar!-tentei fugir mais uma vez.
-Todos nós queremos o bem dela, e se quiser você poderá transferir o curso para uma faculdade daqui!-ela me disse.
Percebi que aquilo iria demorar mais do que eu pensava. Tentei escapar mais uma vez...
-Eu não ficarei por muito tempo!Meus amigos, minha família... -falei.
-Se você contar o motivo tenho certeza de que todos vão lhe entender,faça isso por mim e por ela!
Era loucura demais, ir á um lugar onde eu nem conhecia pessoalmente as pessoas, apenas conhecia os seus “íntimos” digitados diariamente na rede de computadores. E se tudo isso fosse mentira?Se eles fossem uma família de canibais?E se elas não fossem as garotas da foto?Poderia ser tudo um jogo de bandidos, mas bandidos ficariam quatro anos enrolando alguém?Não pude resistir à tentação de conhecer os bastidores, decidi ir viajar.
-Tem razão, vou contar á eles e no próximo sábado pegarei um avião para o Paraná!-respondi.
Contei o que acontecia e para a minha surpresa não tive interrogações e nem choros. Todos compreenderam que era uma boa ação, talvez uma “missão humanitária”, mas ninguém, nem eu mesmo sabíamos o perigo que me esperava no Paraná.
Comecei a fazer as minhas malas, coloquei quase todo o meu guarda-roupa em duas malas enormes que ficaram super pesadas. A maior parte do meu vestuário eram roupas de verão, mesmo que eu soubesse que Curitiba era considerada uma parte européia esquecida no Brasil. Não tinha tempo para complementar minhas roupas de inverno e afinal estávamos em pleno verão, impossível que fizesse frio no calor, deveria me preocupar com isso quando o inverno chegasse de fato.
Fiz as malas, e parei para pensar que aquela era a minha maior loucura que poderia cometer, e que esta poderia ser fatal. Eu não buscava esclarecimentos, buscava?Estava muito confuso em relação às quais atitudes teria de tomar. Soraya e Alessandra precisavam de mim e isso era tão “Super Nanny”. Uma precisava da minha presença, e a outra do meu carinho e conforto, mas eu não sabia diferenciar quem precisava do quê. Este seria um grande problema que me atormentava, e se o mais louco dessa história fosse eu?Cheguei ao aeroporto de Cumbica em Campinas, e logo embarquei.

domingo, 31 de janeiro de 2010


Parte 03- Provocações
O
 meu melhor amigo na internet era o Fábio Assunção, ele não era o ator global, mas era muito legal. Jogava como Téo no RPG. Talvez, eu não devesse confiar tanto em quem eu não conhecia. Depois de um tempo,quando percebi que a minha relação com Soraya estava entediante, contei á ele e descobri que Fábio havia lançado suas propostas para a minha “bebê”.
Tudo era virtual, eu sabia muito bem disso, mas parecia tão real que acabei me irritando facilmente com muito ciúme. Soraya não respondia mais as minhas expectativas, parecia estar mudada, muito irritada. Fábio utilizava de perguntas para enfim descobrir se havia possibilidades com ela, no fundo eu sabia que ela o ignorava e que havia voltado a falar com o tal ex, o Curitibano.
Ela conseguia me provocar, irritar, tudo e as perguntas de Fábio só ajudavam e fortaleciam sua estupidez. Já não tinha mais dúvidas sobre o seu comportamento vil e maléfico, era vingativa. ”Se eu pudesse te apagar de mim e nunca mais lembrar cada verso que escrevi e que me fazia acreditar.”
Tomei uma atitude que poderia ser a solução para os meus problemas virtuais. A exclui do meu Orkut, MSN, bloqueei, ou seja, tomei todas as medidas para me isolar dessa que se transformou na minha tormenta. Talvez ela fosse o meu “carma” como os indianos dizem. De uma coisa não posso negar jamais, era Taurino e todo Taurino é bastante ciumento e até um pouco possessivo.
Aos poucos, as conversas com Alessandra, ou melhor, Ale me traziam conforto, carinho e alegria, tudo que perdi com a mudança repentina de Soraya. Ela não aprovava as atitudes bobas da irmã, me contava as opiniões e comentários sobre mim que a “hermana” lhe contava. Fiquei espantado quando me disse que Soraya me achava infantil demais para ela e que já estava cansada de bancar a minha psicóloga. “Your heart is black as night”.No meu aniversário de 18 anos, não recebi nenhuma mensagem ou recado daquela que um dia eu amei, ou amava?.
Para evitar situações futuras, contei á Fábio que ele deveria “desencanar”, pois Soraya faria o mesmo com ele, além disso, ela só o estava usando como motivo de provocações, assim como fez comigo para o seu ex, de existência duvidosa.
Seis meses se passaram desde o ultimato. Ale me disse que me amava no fundo eu ainda gostava daquela que me fazia voar nas profundezas da minha imaginação e que me prometeu guardar minhas cartas embaixo do travesseiro mesmo que se casasse com outro homem. Eu já estava na faculdade e vivia num ótimo momento de crescimento, descobertas e motivações.
Por um lado, eu não poderia enganar Alessandra, porém ela me ajudaria a apagar de uma vez por todas Soraya Priesly, uma erva - daninha em meio de meu campo imaginário. Então, disse a Ale que a amava também.
Geralmente, eu não paro para refletir as minhas ações, só penso nas conseqüências quando elas já estão existentes. Minha relação com Alessandra era divertida, muito engraçada, mas faltava digamos que a “cola, o grude” que eu tinha com Soraya, todo aquele lirismo, aquela troca de afetos que nos fazia sentir próximos e as preocupações com o outro, o que me deixava mais retraído e me fazia sentir que eu me entregava mais nesse relacionamento do que ela. Mas, eu sabia que a comparação com a irmã nunca daria certo, eu tinha que me contentar para não causar danos maiores.
Tudo corria perfeitamente bem que eu nem me importava mais se tudo estava certo ou errado. Eu vigiava o Twitter de Soraya e sabia que era recíproco quando ela respondia as minhas indiretas e ironias com muita raiva em suas palavras digitadas. De certa forma, isso me mostrava que o que eu fazia e escrevia a afetava, afinal o “amor platônico” dela estava com sua irmã agora.
Ale me contou que havia falado com Soraya sobre o nosso relacionamento virtual, e que a irmã havia quebrado um vaso, de tanta raiva que sentiu. Falou-me também que ela estava mais estranha do que antes e mal comia, seus olhos verdes estavam cada vez mais escuros. Seria minha culpa?ou havia algo a mais a ser revelado?
COMENTEM!
;D



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

✖My Blood✖Image✖




 





Parte 02- Cartas


Parte 02- Cartas

“Eu sabia que ela não era tão boa quanto parecia, mas eu estava hipnotizado.”
Soraya tocava teclado, e uma vez me mostrou uma foto em que usava uma camiseta rosa e tocava o instrumento. Um dia, recebi a proposta que encaminharia o meu futuro ou acabaria com ele. Ela queria o meu endereço para me enviar um cd com todas as músicas já gravadas do grupo “The Cranberries”, do qual “Linger” era a nossa música tema. Confesso que no princípio fiquei receoso, mas ela me disse que não iria me seqüestrar ou algo do tipo, eu já estava apaixonado e não resisti, o nosso amor era incrível mesmo sendo completamente impossível.
     Após algumas semanas, recebi um enorme envelope branco que continha um cd gravado no formato mp3, junto com uma carta, escrita em folhas de fichário do “Smilinguido”. Nela já havia planos sobre o casamento de Mia e Diego no RPG e dizia que me adorava e considerava o nosso “encontro virtual”, algo mágico. 
     Eu sempre acreditei no destino, porém não acreditava que o meu “primeiro amor virtual” me levasse tão longe. O Paraná me esperava algum dia. Um amor platônico, envolvendo dois jovens de estados diferentes, climas diferentes, ligados por uma rede, chamada internet e agora por cartas. Acho que o nosso amor pelo RBD e as músicas do grupo influenciavam na nossa paixão. Ela era perfeita, além de linda, me compreendia e isto era algo recíproco. A magia que nos unia surgiu no Natal, porém não sabíamos se esta poderia ser fatal. Começamos a planejar os nossos futuros, jurando que aquele amor todo, fosse eterno, talvez não fosse. Resolvi responder a carta dela. 
Nossos encontros sempre aconteciam aos finais de semana, talvez os dias mais esperados. Pude ouvir a voz dela duas vezes, era mágica como tudo, linda, apesar de que o meu microfone a distorcia um pouco. 
De uma coisa eu tinha plena certeza, nos amávamos e algo tão especial assim não seria perdido, seria eterno apesar de todas as circunstâncias. Nunca parei para pensar que tudo não passaria de uma loucura adolescente e que eu poderia me decepcionar com ela e vice-versa. 
Decepção? Esta palavra estava excluída do meu dicionário, Soraya não era uma paixão, era um vício incontrolável que havia chegado para ficar. Eu poderia estar hipnotizado ou algo parecido, mas a garota cujo nome tinha seis letras era magnífica. 
Tanta magnitude e demonstração de carinho diminuiu ou aumentou quando eu conheci melhor a sua irmã, Alessandra. Dois anos mais nova do que a minha Priesly, morena e cover da Maite, gostava de música assim como a irmã. Ela não tinha olhos verdes como a minha princesa, mas tinha uma simpatia e um alto-astral contagiante junto com a sua beleza. 
Minha “relação” com Soraya não havia sido abalada, mas eu percebia que algo mudara. Ela parecia mais “fria”, “seca”, “áspera” em suas palavras e demonstrava ser calculista em suas ações. Seria ciúme da irmã? Eu acreditava que não, pois minha relação com Alessandra era como “cunhados virtuais”. Uma vez no MSN, Priesly me disse: 
-Você sabe muito bem que eu não sou boa! 
Automaticamente eu me lembrei da música da Amy Winehouse, adorava essa cantora. Mesmo assim, eu continuei o meu relacionamento com a “estranha Soraya”, mas eu ainda não fazia idéia do futuro.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Parte 01- Á Primeira Vista


Parte 01- Á Primeira Vista

Era dia de Natal, talvez a melhor época para começar a planejar o ano novo, momento em que as pessoas se mostram mais sensíveis, amáveis e abertas para novas propostas. Eu tinha 16 anos, e neste ano não passaria o Natal com minha família, aproveitei a ocasião para entrar na internet.
No Orkut encontrei uma comunidade cujo nome era: ”Eu jogo RPG de Rebelde”, como o site em que eu jogava estava já havia algum tempo desatualizado, entrei no fórum da comunidade e encontrei um tópico feito por um garoto chamado Rafael, cuja foto era o Bart Simpson maquiado igual aos integrantes do grupo de rock, Kiss.
Não pensei duas vezes e me cadastrei como o personagem Diego Bustamante, e comecei a jogar. O primeiro lugar onde “postei”, um vocábulo muito utilizado no jogo foi o depósito. Depois descobri que haveria uma viagem em um cruzeiro para os personagens. Eu não sabia, mas bastaria um “click” para que a minha vida transformasse completamente.
Comecei a interagir com uma personagem, a única presente naquela noite de Natal, talvez ela fosse o meu presente, Mia Colucci. Após conversas descobri que o RPG era novo e que ela havia terminado com outro cara no RPG chamado “Rota RBD”. Ficamos conversando e depois de um tempo eu pedi o “MSN” da garota. Então, o assunto migrou do surreal para a realidade, o nome da garota que jogava era Soraya Priesly. Ela tinha uma irmã, Alessandra, que também jogava no fórum como a personagem Roberta Pardo.
Percebi na foto, ela era uma garota de cabelos castanhos, cacheados, olhos verdes como se fossem duas esmeraldas, usava uma camiseta preta e parecia estar deitada em uma cama. Ela me contou que os seus pais já estavam dormindo, sua irmã havia saído com algumas amigas e que ela estava com insônia.
Já era madrugada quando em um impulso fiz com que o meu personagem beijasse a dela no fórum. Talvez, aquilo fosse o maior erro já que eu não sabia e nem imaginava as conseqüências que isso me traria.
No ano novo, passamos juntos conectados. Durante a contagem regressiva, derrubei a taça de champanhe na mesa do computador, foi muita sorte não ter dado um curto circuito nos fios, contei a ela o ocorrido. Após esse dia, a nossa amizade foi crescendo e ela considerou que éramos já “amigos coloridos”. Trocávamos confidências e oferecíamos o que estávamos comendo ou bebendo ao outro pelo MSN, e conseqüentemente a troca de afetos dos personagens passou para a vida real. O elo se transformou de Mia e Diego apara Soraya e Wendryck, seria o destino?
Fomos nos envolvendo cada vez mais, sem pensar no risco que não conhecíamos a pessoa a quem dizíamos amar.Mas, o meu primeiro obstáculo era a distância, ela era do Paraná e eu de São Paulo.O segundo era que o cara com quem ela manteve um relacionamento em outro RPG, começou a ter ataques e crises existenciais no jogo.Seu objetivo era transformar a situação desagradável e nos deixar irritados,mas por enquanto ele não havia conseguido.
Descobri que ele morava em Curitiba, a mesma cidade que ela.Achei estranho, o fato de que eles nunca haviam marcado um encontro e mantiveram por tanto tempo uma relação virtual.Este fator me fazia duvidar da existência dele,e a não levar em consideração suas provocações diárias.Se eu quisesse permanecer “a salvo”, não deveria investigar profundamente as vidas dos outros.
  

Espero que gostem e que comentem! ;D

✖My Blood✖


My Blood





“Eu nunca pensei que a garota da foto, cujos olhos
eram verdes como duas esmeraldas pudesse me 
enlouquecer de tal forma”


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

My Blood


My Blood

Escrita por Wendryck Firmo


Conversación


GIRLSPT.COM - Cursores Animados
g
Wendryck Wonka,webnovelista & designer. Tecnologia do Blogger.