Parte 13- Perguntas


Parte 13- Perguntas
       “Já não dava mais para mentir e ela era a minha atriz favorita...”
            O dia estava normal como sempre, mas eu já não conseguia abraçar e beijar Alessandra com a mesma intensidade e carinho de antes. Havia uma “barreira” que me impedia.
            Ninguém notou a minha mudança comportamental, e Soraya também agia normalmente, me ignorando para não demonstrar que nossa relação havia mudado. Na sala, Ale me perguntou:
            -Hoje pela manhã, o que ela queria com você? Ficaram quase uma hora trancados, fiquei preocupada!
            Pensei na resposta mais rápida e que não demonstrasse que eu estava mentindo.
            -Ela achou que iria morrer de hipotermia, e então resolveu me pedir desculpas e esclarecemos a nossa relação mal resolvida do passado!-disse com um sorriso amarelo.
            -Estranho, se tudo está bem agora, por que ela te ignora?
            Eu sabia que Ale era tão esperta quanto a irmã mais velha, e que o melhor a se fazer era fugir já que não agüentaríamos tantas perguntas.
            -Você conhece sua irmã melhor do que eu!Sabe o quanto essa garota é orgulhosa, jamais dará o braço a torcer!
            -Isso é verdade, ela é uma peste mesmo!Mais uma vez não almoçou só para nos deixar com raiva!Mamãe não que dizer, mas ela acha que Soraya parece um daqueles mutantes da TV!
            -Mutante?Bobagem!Acho que ela é pior do que um mutante, sem dúvida!
            -Ás vezes acho que ela é um alienígena, afinal herdou os olhos claros do nosso pai, e ele também parece um E.T quando falar ao celular aquela linguagem de câmbio!
            -Ela pode comer escondido!
            -Tudo bem que ela queira comer fora e tal, mas, não precisa fazer desfeita da comida da mamãe que é tão gostosa!
            -Realmente, dona Miranda é uma chefe de cozinha e tanto!Mas, a cabeça da sua irmã não pode ser controlada!- disse para tentar mudar o assunto, antes que a minha “boca grande” revelasse algo.
            -Ainda bem que herdei isso dela!Você não passará fome, agora a Soraya só cozinha quando quer, e na maioria das vezes faz macarrão instantâneo e pipoca, quer dizer cozinhava porque agora parece uma pata choca!
            Assistimos a uns filmes durante a tarde inteira. Soraya permaneceu no quarto arrumando as malas, disse para nós que precisava relaxar após a sua crise de hipotermia. Miranda acreditava que tanto nervoso era a proximidade do resultado do vestibular.
            Após o jantar, Ale me convidou para dar uma volta no parque. Aceitei, pois seria o meu último encontro com ela, mas sabia que na madrugada a minha vida tomaria um rumo ainda mais diferente.
            Aproveitei aquela noite para conhecer o máximo de Curitiba, a Praça Osório e outros pontos. Na frente de uma fonte, Ale segurou as minhas mãos, olhou nos meus olhos e disse:
            -Você parece estranho desde que saiu do quarto dela, está acontecendo algo que te perturba e quer me contar?
            -Nada me perturba!-respondi com aspereza.
            -Acredite, apesar da virtualidade, eu te conheço muito bem e sei que algo no seu rosto te apavora!
            Arrumei os meus óculos e não respondi.
            -O que você quer me contar?-ela insistiu.
            -Te contar?
            -É sobre a Soraya? O que você sabe? –ela apertou com muita força os meus pulsos.

Parte 12- Planejamento


Parte 12- Planejamento
“Seu plano era perfeito assim como a vivacidade de seus olhos”
            -E o que vamos fazer?-perguntei.
            -Sabry me disse que já conversou com o Rafael e que ele pode nos abrigar lá em São Paulo!
            -Que ótimo!Vocês resolvem tão fácil quando querem!Mas, e a sua irmã e os seus pais?
            -Alessandra é nova, vai superar o fato de que eu fugi com o namorado dela, não que seja fácil em lidar com a situação, mas não pode interferir!Os meus pais também, segundo a legislação eu já sou adulta, falta pouco para os meus dezenove anos!
            -As coisas não são tão fáceis para os humanos quanto são para vocês, vampiros! – a última palavra soou com desdém, e eu dei uma risada sarcástica.
            -O fato é que eu preciso de você, preciso que fuja comigo!
            -Agora você precisa de mim, mas na hora de se encontrar com aquele imbecil do vampiro?Foi sozinha sem se importar com quer que fosse!Sinto muito!
            A música que tocava no rádio era “Insensatez” da Fernanda Takai.
            -Eu te peço por mim, pelos demais também!Eu sou um perigo para todos, será possível entender?
            -E para mim também representa perigo!Eu não quero deixar o meu pescoço na sua reta!
            -Por acaso em algum momento eu pedi o seu sangue? Por enquanto estou bem nutrida e não preciso dele!
            -Nutrida? Você comeu quantas pessoas?
            -Eu não como pessoas, idiota!Apenas animais, o sangue de um gato, por exemplo, é suficiente para três dias!E o sorvete do aeroporto...
            -Que nojo, quanta maldade!Ainda bem que você não tem animal de estimação!Eu sabia que aquele sorvete não era groselha, era tipo A ou tipo B? Positivo ou negativo?
            -Era AB!Um dia você entenderá a minha condição vil e medíocre!
            -Prefiro não entender!
            -Posso te beijar? –Ela me pediu com um brilho no olhar.
            -Depende se não quiser absorver as minhas artérias com um beijo!
            -Seu bobo! Vai continuar assim até quando?
            -Humano? Até a morte, e bobo até cansar!Você sabe muito bem que ás vezes eu me faço de bobo, para não deixar as situações piores do que já estão!
            Nos beijamos e eu já não  podia condenar as atitudes frias dela, estava no mesmo caminho e até pior, já que não dava mais para manter o relacionamento com Alessandra.Não podia mais enganá-la de tal forma.Eu era mal a partir do momento em que rompi um compromisso em busca da felicidade.Seria um cúmplice ou um apaixonado?
            Era feliz com Ale, mas faltava aquela “pitada de pimenta” que só Soraya tinha. O nosso estranho jeito de amar, o platonismo, as cartas, as conversas aos finais de semana e o elemento fundamental, o melodrama. Saí do quarto de Soso decidido a terminar de uma vez com Ale, mas sua irmã me impediu.
            -Você está louco?Ela vai sofrer o suficiente com a nossa fuga, deixe tudo como está e o tempo se encaminhará de fazê-la entender que tudo foi para o bem dela e de todos!
            -Está bem, se acha que assim é melhor!
            -Hoje, para ser mais exata nesta madrugada vamos fugir ok? Deixe suas malas prontas, assim que todos dormirem eu ligarei para a Sabry e ela nos levará até o aeroporto!
            -Você já comprou e esquematizou tudo?
            -Claro meu bem, ou acha que daria tempo de você impedir e estragar tudo?Você virá comigo e juntos resolveremos tudo!Lembre-se que tu corres perigo tanto como eu!    

Parte 11 – Confissões


Parte 11 – Confissões
“Ela me falou tudo o que eu queria ouvir, mas eu não esperava que me envolvesse em uma louca história”.

   -Quer me dizer que ainda me ama? –perguntei já sabendo qual era a resposta.

            -Não é isso... Quer dizer não é só isso... Pelo visto você soube que eu estive com o Cle nesses tempos atrás!-ela me disse gaguejando.

            -Por favor, não me diga que o tal do Cleverson te engravidou!Aquele “filho do esperto”... O que tem a ver?-perguntei.

            -Ele me mentiu... No início disse que me amava...

            -Está fazendo tradução da música da Anahí?Isso não é válido!-enquanto eu falava, ela ligou o rádio e obviamente naquele cd era dos Cranberries e a música era “Will you Remember”.

            -Não!Sinta a minha pele, está congelada!-ela pegou as minhas mãos e colocou-as em seu rosto. Foi a impressão de estar tomando um choque. Sua pele era macia e aveludada, porém, parecia um freezer.

            -E qual é a relação da sua pele com o tal “filho do esperto”? –perguntei.

            -Quando eu o encontrei na praça naquela noite, ele parecia estranho, usava um sobretudo preto, aquela aera uma noite abafada e eu não entendi!

            -Pare de me enrolar, e me diga de uma vez a verdade que está me escondendo! –eu disse com raiva de tanta embromação.  

            -Eu sou... Eu estou... Sou uma vampira! –me confessou.

            Supostamente seria uma piada para qualquer um que ouvisse isso logo pela manhã. Na cama com uma vampira? Que coisa mais cinematográfica, vampiros brasileiros, a nova sensação do verão de quarenta graus.

            -Sei que essa onda de vampiros voltou com esse lance de “Crepúsculo”, mas chega a ser inacreditável, me desculpe! –Eu respondi em deboche.

            -Ele demorou muito tempo para marcar o nosso encontro... Porque ele não queria me ver...

            -Eu sempre soube que ele era um fraco, ou melhor, que se quer existia... Mas, ser um vampiro é demais para a minha imaginação fértil!

            -Lembra a história da garotinha Raquel que foi encontrada em uma mala na rodoviária aqui em Curitiba em 2008?

            -Claro, aquela história que está sem solução até hoje!Nós conversamos uma vez sobre isso até que eu mandei você se cuidar!-eu disse.

            -Foi ele quem a matou!

            -Meu Deus!Quem inventou os vampiros, certamente não foi Deus!Como funciona esse negócio de ser vampiro? –perguntei curioso.

            -No dia do nosso encontro, ele me modificou com uma mordida, fiquei em péssimo estado, tanto que apareci aqui em casa uma semana após aprender tudo. Aos poucos eu fui me transformando nesse monstro, primeiro veio a agressividade, depois a agilidade e agora parece que cheguei ao estágio final onde tudo fica evidente e translúcido pelos meus olhos e minha pele!

            Assustei-me com o que ela disse, e até me esquivei um pouco. Eu não tinha nenhum dente de alho, ou estaca de madeira, pelo menos não teria que usar uma bala de prata, já que ela não era uma “lobimulher”, se isso existisse.

            -Estou perdendo o controle das minhas ações, me aproximar de qualquer um é um tormento, por isso me tranco no quarto para estudar, o cheiro de sangue correndo nas veias de todos que me cercam, o calor da pele... Quase que eu te mordi ontem na festa!

            -E onde o pilantra do Cleverson está?Você sabe como ele se transformou em um?

            -Antes de entrar no RPG, ele investigou toda a minha vida, eu seria apenas mais uma vítima que ele conhecera pela internet!Mas, ele se apaixonou por mim e tivemos aquele namoro que apesar de sermos da mesma cidade nunca passou do campo virtual!Então, ele decidiu que ao invés de me matar, eu era merecedora de uma transformação!Eu não sei onde ele está!

            -E onde eu entro nessa sua história sobrenatural?

            -Ele está decidido a te matar, já descobriu que você está aqui em Curitiba... eu li no Twitter dele!

            -HAHA...Vampiros que “twittam”...viva a modernidade!-dei uma risada forçada, mas estava com um pouco de medo.Seria tudo verdade, ou não passava de uma “pegadinha”?


Parte 10 – Decisão

Parte 10 – Decisão

“Enfim ela decidira me falar a verdade que escondia por trás de sua pele alva”.

Sutilmente entramos na residência dos Priesly, peguei Ale no colo e a carreguei até o quarto onde a deixei na cama, dormindo tranquilamente.Fechei a porta cautelosamente e me assustei com a presença fantasmagórica de Soraya me fitando com seus olhos agora, esmeraldas.
Ela me puxou com força e disse:
-Não sabe como isso é difícil para mim, ter você aqui... Porta a porta e não poder... Espero que me entenda!
-Claro que eu te entendo, a sua irmã... – fui interrompido.
-Não é por causa dela, outro fator me impede dessa convivência com você e com todos de certa forma,quando eu estiver totalmente apta para conviver, tenho certeza de que você não escapará!
-Escapará, por acaso sou algum tipo de presa?
-Tchau!
Cada um foi para o seu quarto e eu passei a noite pensando o que seria esse “fator”. Ela estava doente?Uma doença transmissível? Eu sabia que a Raiva era transmitida por mordidas de morcego ou cães, talvez fosse isso, e se fosse algo sobrenatural? Bem, aí eu deixaria o caso dela ser desvendado pelos irmãos Winchester de Supernatural. Pensei tanto que dormi, e isso não era novidade, estava exausto de tantas falas que se repetiam na minha cabeça.
Na manhã seguinte, acordei com os gritos da senhora Priesly vindos do quarto de Soraya.
-Jorge, Jorge! A Soso está gelada como pode? Filha, acorde, fale comigo! Você está congelada e pálida! – disse a Senhora Priesly tateando o corpo da filha.
Ale me empurrou para dentro do quarto da irmã, onde Miranda cobria a filha com milhares de cobertas e Soraya gemia algumas palavras desconexas.
O senhor Priesly já havia saído, pois ele era gerente de uma empresa de biocombustível de muita influência na economia do país. Enfim, Soraya acordou.
-Querida, o que aconteceu? Parece que você teve hipotermia nessa madrugada!- disse Miranda pegando um termômetro e balançando-o.
-Eu estou bem!Deixem-me em paz! –reclamou Soraya jogando uma almofada na porta onde eu e Ale estávamos.
-Você não está boa!Que olheiras roxas são essas?Filha vou levá-la ao doutor Costa Angeli! – disse a senhora Priesly calmamente colocando a mão na testa da filha.
-Não irei á porcaria nenhuma de médico, estou ótima e essas olheiras devem ser por causa da balada de ontem!-reclamou mais uma vez afastando a mão de sua mãe.
Se aquela cena tivesse uma trilha sonora, sem dúvida seria a música Rehab da Amy Winehouse que completaria esse “jogo” entre mãe e filha.
-Soso, a mamãe tem razão... Vamos ao médico! –disse Ale apoiando sua mãe.
-Eu sei que vocês querem, acham que eu estou louca!Me internarão na primeira “bigorna” que encontrarem!Quero falar com esse infeliz do Wendryck, só ele me entende ou entenderá, tanto faz!Agora vocês duas sumam da minha frente antes que eu quebre tudo!
Miranda e Alessandra saíram do quarto nos deixando a sós. Soraya pediu para que eu trancasse a porta e sentasse em sua cama. Obedeci, eu jamais desobedeceria as ordens de uma garota problemática, ainda mais se ela estivesse nervosa.Seriam aquelas síndromes de tensão pré-menstrual? Sei lá, garotas quando estão nessa fase ficam com os nervos á flor da pele, e para isso existem aquelas revistas femininas para ensinar as garotas como lidar com os ânimos.
Soraya não fazia o tipo daquelas que lêem revistas “teens”. Os olhos verdes, hoje pareciam marrons, ela não fazia a Capitu. Talvez fosse pior do que a pobre Capitu, mais dissimulada do que a mulher que foi julgada pelo esposo.
-Não sei por onde começar, eu preciso te confessar algo que não posso mais guardar... E que já está evidente... -ela me disse, me olhando profundamente como em um exame de retinografia.
Se estava tão evidente assim, por que eu ainda não havia adivinhado? Eu nunca fui bom em adivinhações, todas as minhas suposições eram fantasiosas demais para a realidade. Mas, alguém pode afirmar que todo esse amor não extravasava os campos reais?

Parte 9 – Na Pista


Parte 09 – Na pista
Por que ela era tão perigosa? Eu queria descobrir o motivo de tanto ‘mantenha distância’”.



            Depois de muitas danças, Ale me deixou sozinho na pista para comprar bebida, segundo ela era para eu guardar lugar, mesmo sendo impossível ficar parado naquela pista e com aquela quantidade de pessoas.
            Eram tantas pessoas que esbarrei em uma garota sem querer,quando arrumei os meus óculos no rosto, vi que era nada mais e nada menos que Soraya.
            -Tá me olhando assim por quê?Eu sou absoluta!-disse ela, colocando uma mão sobre o meu ombro direito e me encarando. -Você não contou nada á ela sobre a cena do banheiro né? Apesar de que não rolou nada, porque você é muito fraco para mim!
            Uma lei de boa convivência astróloga diz que nunca deve irritar ou subestimar um taurino. Ele pode tomar atitudes inesperadas e precipitadas. Naquele momento o DJ anunciou que iria começar uma “sessão flashback” com os grandes sucessos do passado. Começou com Linger, por que Linger? Tantas músicas e o DJ escolheu justo essa?E bem agora que eu estava perto dela?Somente para dar mais ênfase a esse momento.
            Soraya me fitou com os seus olhos de gata, e eu já estava nervoso com tantos insultos, me aproximei dela e aconteceu o inevitável. Ficamos estáticos durante um bom tempo da música, ela se aproximou da minha orelha e disse:
            -Eu já te disse que eu sou perigosa!Para quê insistir, garoto!Esse simples ato pode colocar tudo a perder!Um dia você entenderá agora se afaste de mim, porque a Alessandra está vindo aí!
            Pisquei os olhos e Soraya já havia desaparecido e na minha frente estava a deslumbrante Alessandra.
            -Que cara é essa?Parece que viu um vampiro carniceiro!Quem estava aqui?Eu juro que vi alguém conversar com você!-perguntou Alessandra me entregando uma lata de energético.
            -Sua irmã veio falar que pagou mais caro no convite hoje!-Eu respondi mentir não seria o melhor caminho a ser seguido, apesar de mentira não ser o meu ponto forte, mas isso protegeria Alessandra que não merecia tanta confusão.
            -Ok!Bem feito!Ouça está tocando “I´ve had the time of my life”, a mesma música que tocou quando você chegou aqui em Curitiba!Vamos dançar!-ela me disse, me puxando mais uma vez.
            A música era boa e a presença de Alessandra também. Mas, eu não entendia os motivos que existiam para que eu me afastasse de Soraya. E o que poderia colocar tudo a perder?Um beijo?Minha orelha?Eu não sabia, mas prometi para mim mesmo que iria descobrir todo o mistério que envolvia a minha “ex-bebê”.
            Dancei com Ale a noite toda, bem a madrugada toda para ser mais específico. Eram cinco da manhã quando Soraya veio em seu tom ríspido nos avisar que iríamos embora. Acompanhamo-la até o carro e assim seguimos para a residência dos Prieslys.
            Dessa vez o rádio não foi ligado, mas o olhar ameaçador permanecera no retrovisor o tempo todo. Ale dormiu no banco e Soraya sibilava algo, mas eu não entendia. Quando chegamos á garagem, ela me disse:
            -Carregue a sua namoradinha antes que ela acorde passe mal e ainda vomite no meu carpete lindo!
         

Parte 08 – Medusa

Parte 08 – Medusa

"Como poder recuperar o teu amor, como tirar a tristeza do meu coração, se meu mundo só gira por você?”

E quando tudo parecia uma louca aventura, ela me disse:
-Eu não posso fazer isso!Não se aproxime de mim, eu sou perigosa e você não tem noção do perigo que posso representar a você e á todos!

-Isso eu já sei! Você sempre tentando ser a “Blair”! Qual é você sabe que a máscara de malvada não combina com você!Pare de tentar ser quem você não é, e caia na real, você está perdendo muito com isso!Mas, tem razão eu não posso fazer isso, Ale é muito boa para mim!- eu respondi, soltando seus pulsos.
“A White demon Love song”. Eu abri a porta e a deixei sair, mas o seu perfume adocicado pairava sobre todo o banheiro. Fui para o meu quarto, me troquei e ainda faltavam cinco minutos para a meia-noite quando saí.
Ale estava maravilhosa. Usava uma mini-preta, uma blusa roxa cheia de paetês, nos lábios carnudos um batom vermelho, bem sedutor. Deu-me um beijo e foi para o carro, me puxando. A senhora Priesly perguntou a Soraya se ela também ia à Medusa, e a resposta dela foi:
-Acho que não, ainda quero ler alguns livros nessa madrugada!A Jess me chamou para sair também, mas não sei!Se a Sabry quiser...
Jess, ou melhor, Jéssica era a sua melhor amiga. Eu sabia que Soraya contava tudo á ela, desde quando nos conhecemos naquele natal. Jessica sabia todas as opiniões da Priesly mais velha e talvez soubesse mais de mim do que eu dela.
-Divirtam-se!-disse a senhora Priesly fechando a enorme porta de madeira. Entramos no carro, o silêncio foi interrompido quando Soraya colocou o seu cd da Lady Gaga no último volume. Ale reclamou, mas a irmã nem notou. O som servia para evitar qualquer comentário ou conversa no que em uma tradução mais ampla, significaria “não fale comigo”.
-Chegamos! –disse Ale apontando uma boate.
O neon verde escrito Medusa piscava como se estivesse com mau contato. Havia muitas pessoas na fila para comprar o convite. Dava para perceber dois canhões de luz na entrada, iluminando o céu. E já podia ouvir a música que tocava na pista, era Sexy Bitch do DJ David Guetta.
-Tem certeza de que não vai entrar Soraya? –perguntou Ale.
-Não!Não quero!-respondeu a Priesly mais velha com o seu rancor tradicional, encostando-se no vidro fechado.
-Mas, está tocando a sua música, Sexy Bitch!- Ale disse, tentando convencer a irmã a nos acompanhar.
-Se eu sou uma bitch, você é bitchinha!-disse Soraya, ligando o carro.
-Olha quem está na fila! Jess e a Sabry! –disse Ale apontando uma garota de cabelos lisos e castanhos.
-Querem saber?Eu vou entrar na Medusa hoje!- disse Soraya trancando o carro e me lançando um olhar ameaçador como se fosse uma caçadora na floresta.
-Ok! Mas, terá que ficar na fila para comprar o convite!Enquanto eu e o Wend já temos os nossos!Isso que dá ser tão indecisa!-disse Ale esnobando a irmã.
Ale me puxou pela gola da camisa e entramos na Medusa. O lugar estava cheio de gente, a pista era enorme com pisos em xadrez. Fomos para a pista, a música era agitada. Depois de alguns minutos já pude perceber que Soraya estava dentro da boate. Seus olhos verdes pareciam emitir raios lasers pela pista. Eu pressentia que aquela noite poderia ser o inicio de algo que não havia terminado.

Parte 07 – Recaída

Parte 07 – Recaída

“Perto dela era o lugar onde eu me sentia mais seguro, mas quem disse que ela era segura para mim?”


Eu pensava no que consistia toda essa mudança comportamental de Soraya, realmente ela não almoçou e muito menos jantou conosco, sua face estava mais pálida. Ale me disse que a irmã enjoava só de sentir o cheiro da comida, talvez estivesse grávida. Mas de quem?
Descobri que durante esse tempo, o tal ex voltou a procurá-la e que enfim eles marcaram um encontro, onde Soso pode ver quem havia amado e depois desse dia exatamente, seu comportamento mudou o que levou a minha vinda ao Paraná. De uma coisa eu tinha certeza, havia “dedo” ou algo mais do tal “filho do esperto” nessa história toda. Refleti tanto que acabei dormindo.
-Wend, acorda! – eu ouvi uma voz.
-Soraya? – perguntei assustado e muito sonolento.
-Estava sonhando com ela? –percebi a presença de Ale, cabisbaixa.
-Não!É que quem me chamava assim era somente ela e a voz parecia... - tentei me desculpar, mas não neguei que estava sonhando com ela.
-Sem problema!Já são dez horas da noite, trate de começar a se arrumar porque hoje a Medusa vai ferver!
-Ok! Vou tomar banho! – respondi dando um sorriso leve.
Tive que esperar Soraya tomar banho, enquanto Ale utilizava o banheiro da suíte de seus pais. Quando Soso abriu a porta, deu de cara comigo e ficou super nervosa, e tentou me empurrar, mas sua toalha havia caído.
-Ai que ódio, perdi a privacidade na minha própria casa!- ela disse tentando enrolar a toalha novamente no corpo, já era tarde meu anjo, eu não havia perdido nem um detalhe... -Uma moça não pode nem sair de toalha no corredor, porque tem um urubu tarado esperando captar qualquer deslize! –ela completou, dando baforadas.
Não respondi nada. Entrei no banheiro e fui tomar o meu banho. Quando já estava me secando, alguém bateu na porta e gritou:
-Dá a minha escova de cabelos!
Percebi que era Soraya. Repondi:
-Peça, por favor, primeiro!Onde estão as palavras mágicas nessa boca tão rosada e bela?
-Eu não vou pedir porcaria nenhuma, me dê a escova! – ela resmungou.
-Ah! Se quiser usá-la terá que pedir sim!-respondi firmemente.
Abri a porta deixando somente uma fresta que foi por onde a puxei para dentro do banheiro. Fechei a porta e ela ainda permanecia enrolada na toalha cor-de-rosa e eu em mesmo traje. Ela abriu o armário atrás do espelho e pegou a escova.
-Vem cá!Por que você está bancando a Bad girl?- e a segurei com força pelos braços.
-Me solta, me solta! –ela gritou.
-Não grita!Parece que só sabe gritar e tratar todos mal!-a apertei mais forte.
-Você está me machucando! –ela grunhiu.
“Será que é tão difícil assim, te mostrar, te explicar, será que é tão difícil assim te fazer entender que começou no inicio, mas terminou sem final? Será que é tão difícil assim para você?”
-Eu não vou te soltar até que me responda!
-Não te devo resposta nenhuma, e se afaste de mim! Na verdade eu não sei por que você veio, eu não preciso de você! – ela tentou me dar um tapa no rosto, mas quem dominava essa situação era eu.
-Claro que precisa, e eu preciso de você! – eu disse.
Agarrei-a pela cintura e fui me aproximando de seu rosto. Seus olhos estavam fixos, como um animal esperando sua presa. Aquilo não era certo, mas quem estava vendo para me julgar ou não?

Parte 06 – Um Recomeço


Parte 06 – Um Recomeço
“Aos poucos fui conhecendo o ambiente que me abrigaria nestas férias, o território do inimigo?”
S
oraya ligou o carro, e entrei com as minhas bagagens no banco traseiro, eu não sabia que ela já dirigia, foi uma surpresa vê-la ao volante. Ela ligou a rádio e pediu para que colocássemos os cintos. Tudo era novidade para mim. Soso como ela gostava de ser chamada deu uma gargalhada e partiu com o carro em uma velocidade razoável.
No rádio tocava a música “Alala” do grupo Cansei de ser sexy. Ale cantava e pelo retrovisor eu encarava aqueles olhos verdes vívidos, eles ainda estavam verdes. Soraya percebeu que eu a observava e me lançou um olhar maléfico, erguendo uma das sobrancelhas castanhas, meu corpo estremeceu.
Durante o trajeto ninguém disse uma sílaba se quer. Curitiba era verde, com muitas árvores, praças e ônibus, além da linha férrea que cortava a cidade. Eu pensava em mil coisas ao mesmo tempo. Fechei os olhos.
Quando os abri, já estávamos chegando à garagem da casa delas. Ale dava tapinhas na minha cabeça, enquanto Soraya saía do carro batendo a porta com força.
-Dormiu? –perguntou Alessandra.
-Não!Apenas relaxei, essa viagem foi um pouco cansativa!-respondi, arrumando minha roupa.
-Ao ponto de dormir, certo? –ela perguntou dando gargalhadas.
-Digamos que sim! –respondi, tentando encerrar o assunto.
-Vai querer dormir no carro?Saia!Quero lhe apresentar os meus pais!- ela disse, arrumando os longos cabelos pretos e lisos.
-Claro que não vou dormir aqui, só estou aqui porque você está aqui!-eu disse.
-E eu só estou aqui porque você está aí, Dryck vamos sair!Venha!-ela disse me puxando.
Peguei as minhas malas e fechei o carro. Alessandra me conduziu até a sala onde o senhor e a senhora Priesly me aguardavam. Ele segurava um jornal enquanto ela arrumava o cabelo cacheado.
Senhora Priesly tinha os cabelos castanhos claro, uma aparência agradável e alegre, já o seu esposo era grisalho e tinhas olhos claros como os de Soraya, assim como a filha de olhos vívidos ele se mostrava descontente com a minha presença na casa deles. Cumprimentei-os e contei como foi a viagem. Miranda me fazia muitas perguntas e eu tentava respondê-las.
Ale me mostrou o quarto onde eu iria ficar. Era azul com cortinas de cetim num tom mais forte do que as paredes havia uma cama de casal e um enorme guarda-roupa de mogno, ainda havia uma escrivaninha com uma luminária. Achei espaçoso e confortável e Alessandra me disse:
-Mas, quando sentir saudade, corra para o meu quarto ao lado, hein?- e deu uma risada semelhante aquelas gueixas em filmes de ação.
-Pode deixar! O quarto da frente é o dos seus pais?-perguntei enquanto olhava a faixa amarela na porta do quarto vizinho.
-Claro que não!Olha a faixa escrita “não ultrapasse”!É o da Soraya, e ela já me xingou um monte, por ter que olhar para a sua cara logo pela manhã!Descanse bastante que á noite quero te levar na Medusa!
-Ela não precisa ver a minha cara se a porta estiver fechada!O que é isso, Medusa? –perguntei.
-Uma das casas noturnas mais badaladas do Paraná, e é claro que a Soraya levará a gente, mas ela não se importará porque a amiga dela, a Sabry está aqui em Curitiba nessas férias!-ela me disse batendo as unhas na escrivaninha, me fazendo arrepiar com o barulho.
-Aquela garota do RPG?-perguntei me lembrando que a garota que jogava como Vick Paz se chamava Sabry e ela e Soso eram como “unha e carne”, mas se Alessandra não parasse de arranhar o móvel, iríamos brigar.
-Sim! Apesar de todas as atitudes estranhas dela, não perderia a oportunidade de se divertir e conversar com a Sabry!Agora descanse e nos veremos mais tarde!Beijos, bebê! –ela me deu um “selinho” e saiu saltitando pelo corredor.
-Tchau!- eu disse fechando a porta.

Parte 05 – A chegada


Parte 05 – A chegada
“Curitiba me aguardava como se eu pudesse renovar o ambiente, talvez eu fosse mesmo o ‘Salvador da pátria’”.
 “P
or que eu não consigo dormir, quando eu penso em você? Por que eu não consigo agir quando falo sobre você?”.(Why Can´t I?).Estas eram algumas das dúvidas que pairavam sobre a minha cabeça durante o vôo.Tentei me concentrar,mas a ansiedade me matava aos poucos,sempre fui muito ansioso,mas parecia que a minha alma não era contida pelo meu corpo,todas as emoções queriam ser extravasadas.
Finalmente, consegui liberá-las quando desembarquei em Curitiba, puxava uma mala com rodinhas e segurava outra, observava as pessoas, mas obviamente não conhecia ninguém, nada era familiar, fiquei aflito. ”I´ve had the time of my life” era a música que eu ouvia tocar na rádio do aeroporto e na minha cabeça incluía as cenas de Dirty Dancing que se alternavam com as cenas imaginárias de Mia e Diego.
-É ele! – ouvi um grito no meio da multidão.
Olhei ao meu redor, fiquei vermelho e já começava a me preocupar. Eu nunca fui corajoso, daqueles que bancam o herói para impressionar os outros, sempre fui o tímido, medroso e ansioso. Percebi o rosto de Alessandra entre a multidão, nervoso pisei no meu próprio pé, sujando a “biqueira” do meu All Star Player Speciality, o que me deixou irritado.
Alessandra pegou a minha bagagem de mão, nos beijamos e ela me abraçou tão forte que parecia a história da rã em dia de chuva. Segundo essa história, a rã pode ficar grudada em uma pessoa por um longo tempo, e só sai se chove algo do tipo, acho que não era a rã e sim a perereca, mas isso não faz diferença, o fato era que as minhas costelas doíam. Eu estava um pouco constrangido e confuso. Logo,que nossos lábios se separaram, pude perceber a garota da foto, vindo em minha direção segurando um sorvete.
-Wendryck, estou tão feliz em te ver!-disse Alessandra, me abraçando e liberando a última quantidade de ar em meus pulmões.
-Eu também!-tentei retribuir o abraço apertado, mas além de quase encobri-la, a presença de Soraya me incomodava a cada passo que ela dava.
-Então, o meu médico chegou?-perguntou Soraya com ironia em suas palavras. -Eu não sei de onde vocês tiraram que esse “quatro olhos” aí fosse a cura do que chamam de estresse e eu não preciso de ninguém, nem de amigos,família,nada pois quem vai passar na universidade sou eu e sozinha!
-Ele veio para o seu bem, Soraya!E não faça vexame no aeroporto que todos já estão nos olhando, e se fizer showzinho vou pedir para que o papai lhe interne no hospício!-alertou Alessandra, lançando um olhar furioso á irmã.
-Danem-se todos!E você... - apontou o dedo indicador na minha direção-Não se aproxime de mim, ouviu?Você sabe muito bem e mais do que ninguém que eu sou perigosa, só não imagina a proporção da minha periculosidade!-disse Soraya, dando uma leve mordida no sorvete.
-E você não conta com a proporção da minha astúcia, mas pode deixar!-respondi seguramente, mas internamente não me sentia nada confortável com aquela situação e só de imaginar o que viria por aí, me desanimava.
“Hasta que me conociste” tocava agora no aeroporto, talvez a música ideal para esse encontro fosse “Linger”, mas de acordo com a música da Anahí eu discordava se valeu a pena encontrá-la e sofrer por ela.
Caminhei rapidamente em direção ao estacionamento, Ale me contava todos os lugares bons para ir passear em Curitiba. Soraya se deliciava com seu sorvete de groselha, pelo que parecia ser como se fosse uma criança em pleno domingo no parque de diversões. Ela era mais bonita com atitudes tolas do que quando abria a boca, poderia permanecer quieta e com feição ingênua para sempre, não podia?Entramos no Fox vermelho vibrante, as portas foram trancadas e o ar condicionado ligado, apesar de que não fazia tanto calor, mas para quem estava acostumado a viver no frio intenso, um breve raio de sol poderia torrar os “miolos”.

Parte 04 – O convite


Parte 04 – O convite
“Aquele convite daria novos rumos a nossa história, e eu causaria mais danos na família Curitibana...”
-M
eu coração, quem nunca amou não merece ser amado!-eu disse á Alessandra. -Quem semeia vento colhe sempre tempestade, isso já dizia Vinícius!
-Eu sei, mas os meus pais estão preocupados com a mudança do aspecto da Soso!Ela parece um zumbi!Ontem eram cinco e meia da manhã e ela já estava pronta para ir ao cursinho, ou seja, ela nem dormiu!-ela me respondeu.
A mudança repentina de comportamento fez com que eu pensasse em parar de “fazer mal” a Soraya, eu era o motivo de sua aspereza e loucura. Descobri que a causa de tanto estresse eram os resultados dos vestibulares concorridos para o curso de medicina que ainda não haviam saído e que os pais dela queriam levar a minha neurologista á um psiquiatra e isso só a deixava mais ‘revoltada’.
-Eles não podem fazer isso, esse estresse não é loucura... Talvez uma terapia a ajude!-eu disse.
-E quem disse que ela está louca?Eles estão com medo de que tanta fúria se transforme em depressão!-me disse Alessandra. -Acho que você poderia nos ajudar, ela sempre confiou em você mais do que na própria família!
-Como?-perguntei assustado, mas me senti muito honrado em saber que alguém depositava confiança em mim mais do que eu mesmo.
-Venha á Curitiba!Quando entrará em férias?-ela me perguntou.
-Na próxima semana!Mas, eu não tenho onde ficar aí, além do que eu estou economizando para publicar o meu livro!-respondi tentando escapar.
-Não importa!Você ficará em casa... Há anos aquele quarto de hóspedes não recebe ninguém!-ela me disse.
-E os seus pais?Eles não vão gostar!-tentei fugir mais uma vez.
-Todos nós queremos o bem dela, e se quiser você poderá transferir o curso para uma faculdade daqui!-ela me disse.
Percebi que aquilo iria demorar mais do que eu pensava. Tentei escapar mais uma vez...
-Eu não ficarei por muito tempo!Meus amigos, minha família... -falei.
-Se você contar o motivo tenho certeza de que todos vão lhe entender,faça isso por mim e por ela!
Era loucura demais, ir á um lugar onde eu nem conhecia pessoalmente as pessoas, apenas conhecia os seus “íntimos” digitados diariamente na rede de computadores. E se tudo isso fosse mentira?Se eles fossem uma família de canibais?E se elas não fossem as garotas da foto?Poderia ser tudo um jogo de bandidos, mas bandidos ficariam quatro anos enrolando alguém?Não pude resistir à tentação de conhecer os bastidores, decidi ir viajar.
-Tem razão, vou contar á eles e no próximo sábado pegarei um avião para o Paraná!-respondi.
Contei o que acontecia e para a minha surpresa não tive interrogações e nem choros. Todos compreenderam que era uma boa ação, talvez uma “missão humanitária”, mas ninguém, nem eu mesmo sabíamos o perigo que me esperava no Paraná.
Comecei a fazer as minhas malas, coloquei quase todo o meu guarda-roupa em duas malas enormes que ficaram super pesadas. A maior parte do meu vestuário eram roupas de verão, mesmo que eu soubesse que Curitiba era considerada uma parte européia esquecida no Brasil. Não tinha tempo para complementar minhas roupas de inverno e afinal estávamos em pleno verão, impossível que fizesse frio no calor, deveria me preocupar com isso quando o inverno chegasse de fato.
Fiz as malas, e parei para pensar que aquela era a minha maior loucura que poderia cometer, e que esta poderia ser fatal. Eu não buscava esclarecimentos, buscava?Estava muito confuso em relação às quais atitudes teria de tomar. Soraya e Alessandra precisavam de mim e isso era tão “Super Nanny”. Uma precisava da minha presença, e a outra do meu carinho e conforto, mas eu não sabia diferenciar quem precisava do quê. Este seria um grande problema que me atormentava, e se o mais louco dessa história fosse eu?Cheguei ao aeroporto de Cumbica em Campinas, e logo embarquei.

domingo, 25 de julho de 2010

Parte 13- Perguntas


Parte 13- Perguntas
       “Já não dava mais para mentir e ela era a minha atriz favorita...”
            O dia estava normal como sempre, mas eu já não conseguia abraçar e beijar Alessandra com a mesma intensidade e carinho de antes. Havia uma “barreira” que me impedia.
            Ninguém notou a minha mudança comportamental, e Soraya também agia normalmente, me ignorando para não demonstrar que nossa relação havia mudado. Na sala, Ale me perguntou:
            -Hoje pela manhã, o que ela queria com você? Ficaram quase uma hora trancados, fiquei preocupada!
            Pensei na resposta mais rápida e que não demonstrasse que eu estava mentindo.
            -Ela achou que iria morrer de hipotermia, e então resolveu me pedir desculpas e esclarecemos a nossa relação mal resolvida do passado!-disse com um sorriso amarelo.
            -Estranho, se tudo está bem agora, por que ela te ignora?
            Eu sabia que Ale era tão esperta quanto a irmã mais velha, e que o melhor a se fazer era fugir já que não agüentaríamos tantas perguntas.
            -Você conhece sua irmã melhor do que eu!Sabe o quanto essa garota é orgulhosa, jamais dará o braço a torcer!
            -Isso é verdade, ela é uma peste mesmo!Mais uma vez não almoçou só para nos deixar com raiva!Mamãe não que dizer, mas ela acha que Soraya parece um daqueles mutantes da TV!
            -Mutante?Bobagem!Acho que ela é pior do que um mutante, sem dúvida!
            -Ás vezes acho que ela é um alienígena, afinal herdou os olhos claros do nosso pai, e ele também parece um E.T quando falar ao celular aquela linguagem de câmbio!
            -Ela pode comer escondido!
            -Tudo bem que ela queira comer fora e tal, mas, não precisa fazer desfeita da comida da mamãe que é tão gostosa!
            -Realmente, dona Miranda é uma chefe de cozinha e tanto!Mas, a cabeça da sua irmã não pode ser controlada!- disse para tentar mudar o assunto, antes que a minha “boca grande” revelasse algo.
            -Ainda bem que herdei isso dela!Você não passará fome, agora a Soraya só cozinha quando quer, e na maioria das vezes faz macarrão instantâneo e pipoca, quer dizer cozinhava porque agora parece uma pata choca!
            Assistimos a uns filmes durante a tarde inteira. Soraya permaneceu no quarto arrumando as malas, disse para nós que precisava relaxar após a sua crise de hipotermia. Miranda acreditava que tanto nervoso era a proximidade do resultado do vestibular.
            Após o jantar, Ale me convidou para dar uma volta no parque. Aceitei, pois seria o meu último encontro com ela, mas sabia que na madrugada a minha vida tomaria um rumo ainda mais diferente.
            Aproveitei aquela noite para conhecer o máximo de Curitiba, a Praça Osório e outros pontos. Na frente de uma fonte, Ale segurou as minhas mãos, olhou nos meus olhos e disse:
            -Você parece estranho desde que saiu do quarto dela, está acontecendo algo que te perturba e quer me contar?
            -Nada me perturba!-respondi com aspereza.
            -Acredite, apesar da virtualidade, eu te conheço muito bem e sei que algo no seu rosto te apavora!
            Arrumei os meus óculos e não respondi.
            -O que você quer me contar?-ela insistiu.
            -Te contar?
            -É sobre a Soraya? O que você sabe? –ela apertou com muita força os meus pulsos.

Parte 12- Planejamento


Parte 12- Planejamento
“Seu plano era perfeito assim como a vivacidade de seus olhos”
            -E o que vamos fazer?-perguntei.
            -Sabry me disse que já conversou com o Rafael e que ele pode nos abrigar lá em São Paulo!
            -Que ótimo!Vocês resolvem tão fácil quando querem!Mas, e a sua irmã e os seus pais?
            -Alessandra é nova, vai superar o fato de que eu fugi com o namorado dela, não que seja fácil em lidar com a situação, mas não pode interferir!Os meus pais também, segundo a legislação eu já sou adulta, falta pouco para os meus dezenove anos!
            -As coisas não são tão fáceis para os humanos quanto são para vocês, vampiros! – a última palavra soou com desdém, e eu dei uma risada sarcástica.
            -O fato é que eu preciso de você, preciso que fuja comigo!
            -Agora você precisa de mim, mas na hora de se encontrar com aquele imbecil do vampiro?Foi sozinha sem se importar com quer que fosse!Sinto muito!
            A música que tocava no rádio era “Insensatez” da Fernanda Takai.
            -Eu te peço por mim, pelos demais também!Eu sou um perigo para todos, será possível entender?
            -E para mim também representa perigo!Eu não quero deixar o meu pescoço na sua reta!
            -Por acaso em algum momento eu pedi o seu sangue? Por enquanto estou bem nutrida e não preciso dele!
            -Nutrida? Você comeu quantas pessoas?
            -Eu não como pessoas, idiota!Apenas animais, o sangue de um gato, por exemplo, é suficiente para três dias!E o sorvete do aeroporto...
            -Que nojo, quanta maldade!Ainda bem que você não tem animal de estimação!Eu sabia que aquele sorvete não era groselha, era tipo A ou tipo B? Positivo ou negativo?
            -Era AB!Um dia você entenderá a minha condição vil e medíocre!
            -Prefiro não entender!
            -Posso te beijar? –Ela me pediu com um brilho no olhar.
            -Depende se não quiser absorver as minhas artérias com um beijo!
            -Seu bobo! Vai continuar assim até quando?
            -Humano? Até a morte, e bobo até cansar!Você sabe muito bem que ás vezes eu me faço de bobo, para não deixar as situações piores do que já estão!
            Nos beijamos e eu já não  podia condenar as atitudes frias dela, estava no mesmo caminho e até pior, já que não dava mais para manter o relacionamento com Alessandra.Não podia mais enganá-la de tal forma.Eu era mal a partir do momento em que rompi um compromisso em busca da felicidade.Seria um cúmplice ou um apaixonado?
            Era feliz com Ale, mas faltava aquela “pitada de pimenta” que só Soraya tinha. O nosso estranho jeito de amar, o platonismo, as cartas, as conversas aos finais de semana e o elemento fundamental, o melodrama. Saí do quarto de Soso decidido a terminar de uma vez com Ale, mas sua irmã me impediu.
            -Você está louco?Ela vai sofrer o suficiente com a nossa fuga, deixe tudo como está e o tempo se encaminhará de fazê-la entender que tudo foi para o bem dela e de todos!
            -Está bem, se acha que assim é melhor!
            -Hoje, para ser mais exata nesta madrugada vamos fugir ok? Deixe suas malas prontas, assim que todos dormirem eu ligarei para a Sabry e ela nos levará até o aeroporto!
            -Você já comprou e esquematizou tudo?
            -Claro meu bem, ou acha que daria tempo de você impedir e estragar tudo?Você virá comigo e juntos resolveremos tudo!Lembre-se que tu corres perigo tanto como eu!    

Parte 11 – Confissões


Parte 11 – Confissões
“Ela me falou tudo o que eu queria ouvir, mas eu não esperava que me envolvesse em uma louca história”.

   -Quer me dizer que ainda me ama? –perguntei já sabendo qual era a resposta.

            -Não é isso... Quer dizer não é só isso... Pelo visto você soube que eu estive com o Cle nesses tempos atrás!-ela me disse gaguejando.

            -Por favor, não me diga que o tal do Cleverson te engravidou!Aquele “filho do esperto”... O que tem a ver?-perguntei.

            -Ele me mentiu... No início disse que me amava...

            -Está fazendo tradução da música da Anahí?Isso não é válido!-enquanto eu falava, ela ligou o rádio e obviamente naquele cd era dos Cranberries e a música era “Will you Remember”.

            -Não!Sinta a minha pele, está congelada!-ela pegou as minhas mãos e colocou-as em seu rosto. Foi a impressão de estar tomando um choque. Sua pele era macia e aveludada, porém, parecia um freezer.

            -E qual é a relação da sua pele com o tal “filho do esperto”? –perguntei.

            -Quando eu o encontrei na praça naquela noite, ele parecia estranho, usava um sobretudo preto, aquela aera uma noite abafada e eu não entendi!

            -Pare de me enrolar, e me diga de uma vez a verdade que está me escondendo! –eu disse com raiva de tanta embromação.  

            -Eu sou... Eu estou... Sou uma vampira! –me confessou.

            Supostamente seria uma piada para qualquer um que ouvisse isso logo pela manhã. Na cama com uma vampira? Que coisa mais cinematográfica, vampiros brasileiros, a nova sensação do verão de quarenta graus.

            -Sei que essa onda de vampiros voltou com esse lance de “Crepúsculo”, mas chega a ser inacreditável, me desculpe! –Eu respondi em deboche.

            -Ele demorou muito tempo para marcar o nosso encontro... Porque ele não queria me ver...

            -Eu sempre soube que ele era um fraco, ou melhor, que se quer existia... Mas, ser um vampiro é demais para a minha imaginação fértil!

            -Lembra a história da garotinha Raquel que foi encontrada em uma mala na rodoviária aqui em Curitiba em 2008?

            -Claro, aquela história que está sem solução até hoje!Nós conversamos uma vez sobre isso até que eu mandei você se cuidar!-eu disse.

            -Foi ele quem a matou!

            -Meu Deus!Quem inventou os vampiros, certamente não foi Deus!Como funciona esse negócio de ser vampiro? –perguntei curioso.

            -No dia do nosso encontro, ele me modificou com uma mordida, fiquei em péssimo estado, tanto que apareci aqui em casa uma semana após aprender tudo. Aos poucos eu fui me transformando nesse monstro, primeiro veio a agressividade, depois a agilidade e agora parece que cheguei ao estágio final onde tudo fica evidente e translúcido pelos meus olhos e minha pele!

            Assustei-me com o que ela disse, e até me esquivei um pouco. Eu não tinha nenhum dente de alho, ou estaca de madeira, pelo menos não teria que usar uma bala de prata, já que ela não era uma “lobimulher”, se isso existisse.

            -Estou perdendo o controle das minhas ações, me aproximar de qualquer um é um tormento, por isso me tranco no quarto para estudar, o cheiro de sangue correndo nas veias de todos que me cercam, o calor da pele... Quase que eu te mordi ontem na festa!

            -E onde o pilantra do Cleverson está?Você sabe como ele se transformou em um?

            -Antes de entrar no RPG, ele investigou toda a minha vida, eu seria apenas mais uma vítima que ele conhecera pela internet!Mas, ele se apaixonou por mim e tivemos aquele namoro que apesar de sermos da mesma cidade nunca passou do campo virtual!Então, ele decidiu que ao invés de me matar, eu era merecedora de uma transformação!Eu não sei onde ele está!

            -E onde eu entro nessa sua história sobrenatural?

            -Ele está decidido a te matar, já descobriu que você está aqui em Curitiba... eu li no Twitter dele!

            -HAHA...Vampiros que “twittam”...viva a modernidade!-dei uma risada forçada, mas estava com um pouco de medo.Seria tudo verdade, ou não passava de uma “pegadinha”?


terça-feira, 29 de junho de 2010

Parte 10 – Decisão

Parte 10 – Decisão

“Enfim ela decidira me falar a verdade que escondia por trás de sua pele alva”.

Sutilmente entramos na residência dos Priesly, peguei Ale no colo e a carreguei até o quarto onde a deixei na cama, dormindo tranquilamente.Fechei a porta cautelosamente e me assustei com a presença fantasmagórica de Soraya me fitando com seus olhos agora, esmeraldas.
Ela me puxou com força e disse:
-Não sabe como isso é difícil para mim, ter você aqui... Porta a porta e não poder... Espero que me entenda!
-Claro que eu te entendo, a sua irmã... – fui interrompido.
-Não é por causa dela, outro fator me impede dessa convivência com você e com todos de certa forma,quando eu estiver totalmente apta para conviver, tenho certeza de que você não escapará!
-Escapará, por acaso sou algum tipo de presa?
-Tchau!
Cada um foi para o seu quarto e eu passei a noite pensando o que seria esse “fator”. Ela estava doente?Uma doença transmissível? Eu sabia que a Raiva era transmitida por mordidas de morcego ou cães, talvez fosse isso, e se fosse algo sobrenatural? Bem, aí eu deixaria o caso dela ser desvendado pelos irmãos Winchester de Supernatural. Pensei tanto que dormi, e isso não era novidade, estava exausto de tantas falas que se repetiam na minha cabeça.
Na manhã seguinte, acordei com os gritos da senhora Priesly vindos do quarto de Soraya.
-Jorge, Jorge! A Soso está gelada como pode? Filha, acorde, fale comigo! Você está congelada e pálida! – disse a Senhora Priesly tateando o corpo da filha.
Ale me empurrou para dentro do quarto da irmã, onde Miranda cobria a filha com milhares de cobertas e Soraya gemia algumas palavras desconexas.
O senhor Priesly já havia saído, pois ele era gerente de uma empresa de biocombustível de muita influência na economia do país. Enfim, Soraya acordou.
-Querida, o que aconteceu? Parece que você teve hipotermia nessa madrugada!- disse Miranda pegando um termômetro e balançando-o.
-Eu estou bem!Deixem-me em paz! –reclamou Soraya jogando uma almofada na porta onde eu e Ale estávamos.
-Você não está boa!Que olheiras roxas são essas?Filha vou levá-la ao doutor Costa Angeli! – disse a senhora Priesly calmamente colocando a mão na testa da filha.
-Não irei á porcaria nenhuma de médico, estou ótima e essas olheiras devem ser por causa da balada de ontem!-reclamou mais uma vez afastando a mão de sua mãe.
Se aquela cena tivesse uma trilha sonora, sem dúvida seria a música Rehab da Amy Winehouse que completaria esse “jogo” entre mãe e filha.
-Soso, a mamãe tem razão... Vamos ao médico! –disse Ale apoiando sua mãe.
-Eu sei que vocês querem, acham que eu estou louca!Me internarão na primeira “bigorna” que encontrarem!Quero falar com esse infeliz do Wendryck, só ele me entende ou entenderá, tanto faz!Agora vocês duas sumam da minha frente antes que eu quebre tudo!
Miranda e Alessandra saíram do quarto nos deixando a sós. Soraya pediu para que eu trancasse a porta e sentasse em sua cama. Obedeci, eu jamais desobedeceria as ordens de uma garota problemática, ainda mais se ela estivesse nervosa.Seriam aquelas síndromes de tensão pré-menstrual? Sei lá, garotas quando estão nessa fase ficam com os nervos á flor da pele, e para isso existem aquelas revistas femininas para ensinar as garotas como lidar com os ânimos.
Soraya não fazia o tipo daquelas que lêem revistas “teens”. Os olhos verdes, hoje pareciam marrons, ela não fazia a Capitu. Talvez fosse pior do que a pobre Capitu, mais dissimulada do que a mulher que foi julgada pelo esposo.
-Não sei por onde começar, eu preciso te confessar algo que não posso mais guardar... E que já está evidente... -ela me disse, me olhando profundamente como em um exame de retinografia.
Se estava tão evidente assim, por que eu ainda não havia adivinhado? Eu nunca fui bom em adivinhações, todas as minhas suposições eram fantasiosas demais para a realidade. Mas, alguém pode afirmar que todo esse amor não extravasava os campos reais?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Parte 9 – Na Pista


Parte 09 – Na pista
Por que ela era tão perigosa? Eu queria descobrir o motivo de tanto ‘mantenha distância’”.



            Depois de muitas danças, Ale me deixou sozinho na pista para comprar bebida, segundo ela era para eu guardar lugar, mesmo sendo impossível ficar parado naquela pista e com aquela quantidade de pessoas.
            Eram tantas pessoas que esbarrei em uma garota sem querer,quando arrumei os meus óculos no rosto, vi que era nada mais e nada menos que Soraya.
            -Tá me olhando assim por quê?Eu sou absoluta!-disse ela, colocando uma mão sobre o meu ombro direito e me encarando. -Você não contou nada á ela sobre a cena do banheiro né? Apesar de que não rolou nada, porque você é muito fraco para mim!
            Uma lei de boa convivência astróloga diz que nunca deve irritar ou subestimar um taurino. Ele pode tomar atitudes inesperadas e precipitadas. Naquele momento o DJ anunciou que iria começar uma “sessão flashback” com os grandes sucessos do passado. Começou com Linger, por que Linger? Tantas músicas e o DJ escolheu justo essa?E bem agora que eu estava perto dela?Somente para dar mais ênfase a esse momento.
            Soraya me fitou com os seus olhos de gata, e eu já estava nervoso com tantos insultos, me aproximei dela e aconteceu o inevitável. Ficamos estáticos durante um bom tempo da música, ela se aproximou da minha orelha e disse:
            -Eu já te disse que eu sou perigosa!Para quê insistir, garoto!Esse simples ato pode colocar tudo a perder!Um dia você entenderá agora se afaste de mim, porque a Alessandra está vindo aí!
            Pisquei os olhos e Soraya já havia desaparecido e na minha frente estava a deslumbrante Alessandra.
            -Que cara é essa?Parece que viu um vampiro carniceiro!Quem estava aqui?Eu juro que vi alguém conversar com você!-perguntou Alessandra me entregando uma lata de energético.
            -Sua irmã veio falar que pagou mais caro no convite hoje!-Eu respondi mentir não seria o melhor caminho a ser seguido, apesar de mentira não ser o meu ponto forte, mas isso protegeria Alessandra que não merecia tanta confusão.
            -Ok!Bem feito!Ouça está tocando “I´ve had the time of my life”, a mesma música que tocou quando você chegou aqui em Curitiba!Vamos dançar!-ela me disse, me puxando mais uma vez.
            A música era boa e a presença de Alessandra também. Mas, eu não entendia os motivos que existiam para que eu me afastasse de Soraya. E o que poderia colocar tudo a perder?Um beijo?Minha orelha?Eu não sabia, mas prometi para mim mesmo que iria descobrir todo o mistério que envolvia a minha “ex-bebê”.
            Dancei com Ale a noite toda, bem a madrugada toda para ser mais específico. Eram cinco da manhã quando Soraya veio em seu tom ríspido nos avisar que iríamos embora. Acompanhamo-la até o carro e assim seguimos para a residência dos Prieslys.
            Dessa vez o rádio não foi ligado, mas o olhar ameaçador permanecera no retrovisor o tempo todo. Ale dormiu no banco e Soraya sibilava algo, mas eu não entendia. Quando chegamos á garagem, ela me disse:
            -Carregue a sua namoradinha antes que ela acorde passe mal e ainda vomite no meu carpete lindo!
         

domingo, 27 de junho de 2010

Parte 08 – Medusa

Parte 08 – Medusa

"Como poder recuperar o teu amor, como tirar a tristeza do meu coração, se meu mundo só gira por você?”

E quando tudo parecia uma louca aventura, ela me disse:
-Eu não posso fazer isso!Não se aproxime de mim, eu sou perigosa e você não tem noção do perigo que posso representar a você e á todos!

-Isso eu já sei! Você sempre tentando ser a “Blair”! Qual é você sabe que a máscara de malvada não combina com você!Pare de tentar ser quem você não é, e caia na real, você está perdendo muito com isso!Mas, tem razão eu não posso fazer isso, Ale é muito boa para mim!- eu respondi, soltando seus pulsos.
“A White demon Love song”. Eu abri a porta e a deixei sair, mas o seu perfume adocicado pairava sobre todo o banheiro. Fui para o meu quarto, me troquei e ainda faltavam cinco minutos para a meia-noite quando saí.
Ale estava maravilhosa. Usava uma mini-preta, uma blusa roxa cheia de paetês, nos lábios carnudos um batom vermelho, bem sedutor. Deu-me um beijo e foi para o carro, me puxando. A senhora Priesly perguntou a Soraya se ela também ia à Medusa, e a resposta dela foi:
-Acho que não, ainda quero ler alguns livros nessa madrugada!A Jess me chamou para sair também, mas não sei!Se a Sabry quiser...
Jess, ou melhor, Jéssica era a sua melhor amiga. Eu sabia que Soraya contava tudo á ela, desde quando nos conhecemos naquele natal. Jessica sabia todas as opiniões da Priesly mais velha e talvez soubesse mais de mim do que eu dela.
-Divirtam-se!-disse a senhora Priesly fechando a enorme porta de madeira. Entramos no carro, o silêncio foi interrompido quando Soraya colocou o seu cd da Lady Gaga no último volume. Ale reclamou, mas a irmã nem notou. O som servia para evitar qualquer comentário ou conversa no que em uma tradução mais ampla, significaria “não fale comigo”.
-Chegamos! –disse Ale apontando uma boate.
O neon verde escrito Medusa piscava como se estivesse com mau contato. Havia muitas pessoas na fila para comprar o convite. Dava para perceber dois canhões de luz na entrada, iluminando o céu. E já podia ouvir a música que tocava na pista, era Sexy Bitch do DJ David Guetta.
-Tem certeza de que não vai entrar Soraya? –perguntou Ale.
-Não!Não quero!-respondeu a Priesly mais velha com o seu rancor tradicional, encostando-se no vidro fechado.
-Mas, está tocando a sua música, Sexy Bitch!- Ale disse, tentando convencer a irmã a nos acompanhar.
-Se eu sou uma bitch, você é bitchinha!-disse Soraya, ligando o carro.
-Olha quem está na fila! Jess e a Sabry! –disse Ale apontando uma garota de cabelos lisos e castanhos.
-Querem saber?Eu vou entrar na Medusa hoje!- disse Soraya trancando o carro e me lançando um olhar ameaçador como se fosse uma caçadora na floresta.
-Ok! Mas, terá que ficar na fila para comprar o convite!Enquanto eu e o Wend já temos os nossos!Isso que dá ser tão indecisa!-disse Ale esnobando a irmã.
Ale me puxou pela gola da camisa e entramos na Medusa. O lugar estava cheio de gente, a pista era enorme com pisos em xadrez. Fomos para a pista, a música era agitada. Depois de alguns minutos já pude perceber que Soraya estava dentro da boate. Seus olhos verdes pareciam emitir raios lasers pela pista. Eu pressentia que aquela noite poderia ser o inicio de algo que não havia terminado.

domingo, 28 de março de 2010

Parte 07 – Recaída

Parte 07 – Recaída

“Perto dela era o lugar onde eu me sentia mais seguro, mas quem disse que ela era segura para mim?”


Eu pensava no que consistia toda essa mudança comportamental de Soraya, realmente ela não almoçou e muito menos jantou conosco, sua face estava mais pálida. Ale me disse que a irmã enjoava só de sentir o cheiro da comida, talvez estivesse grávida. Mas de quem?
Descobri que durante esse tempo, o tal ex voltou a procurá-la e que enfim eles marcaram um encontro, onde Soso pode ver quem havia amado e depois desse dia exatamente, seu comportamento mudou o que levou a minha vinda ao Paraná. De uma coisa eu tinha certeza, havia “dedo” ou algo mais do tal “filho do esperto” nessa história toda. Refleti tanto que acabei dormindo.
-Wend, acorda! – eu ouvi uma voz.
-Soraya? – perguntei assustado e muito sonolento.
-Estava sonhando com ela? –percebi a presença de Ale, cabisbaixa.
-Não!É que quem me chamava assim era somente ela e a voz parecia... - tentei me desculpar, mas não neguei que estava sonhando com ela.
-Sem problema!Já são dez horas da noite, trate de começar a se arrumar porque hoje a Medusa vai ferver!
-Ok! Vou tomar banho! – respondi dando um sorriso leve.
Tive que esperar Soraya tomar banho, enquanto Ale utilizava o banheiro da suíte de seus pais. Quando Soso abriu a porta, deu de cara comigo e ficou super nervosa, e tentou me empurrar, mas sua toalha havia caído.
-Ai que ódio, perdi a privacidade na minha própria casa!- ela disse tentando enrolar a toalha novamente no corpo, já era tarde meu anjo, eu não havia perdido nem um detalhe... -Uma moça não pode nem sair de toalha no corredor, porque tem um urubu tarado esperando captar qualquer deslize! –ela completou, dando baforadas.
Não respondi nada. Entrei no banheiro e fui tomar o meu banho. Quando já estava me secando, alguém bateu na porta e gritou:
-Dá a minha escova de cabelos!
Percebi que era Soraya. Repondi:
-Peça, por favor, primeiro!Onde estão as palavras mágicas nessa boca tão rosada e bela?
-Eu não vou pedir porcaria nenhuma, me dê a escova! – ela resmungou.
-Ah! Se quiser usá-la terá que pedir sim!-respondi firmemente.
Abri a porta deixando somente uma fresta que foi por onde a puxei para dentro do banheiro. Fechei a porta e ela ainda permanecia enrolada na toalha cor-de-rosa e eu em mesmo traje. Ela abriu o armário atrás do espelho e pegou a escova.
-Vem cá!Por que você está bancando a Bad girl?- e a segurei com força pelos braços.
-Me solta, me solta! –ela gritou.
-Não grita!Parece que só sabe gritar e tratar todos mal!-a apertei mais forte.
-Você está me machucando! –ela grunhiu.
“Será que é tão difícil assim, te mostrar, te explicar, será que é tão difícil assim te fazer entender que começou no inicio, mas terminou sem final? Será que é tão difícil assim para você?”
-Eu não vou te soltar até que me responda!
-Não te devo resposta nenhuma, e se afaste de mim! Na verdade eu não sei por que você veio, eu não preciso de você! – ela tentou me dar um tapa no rosto, mas quem dominava essa situação era eu.
-Claro que precisa, e eu preciso de você! – eu disse.
Agarrei-a pela cintura e fui me aproximando de seu rosto. Seus olhos estavam fixos, como um animal esperando sua presa. Aquilo não era certo, mas quem estava vendo para me julgar ou não?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Parte 06 – Um Recomeço


Parte 06 – Um Recomeço
“Aos poucos fui conhecendo o ambiente que me abrigaria nestas férias, o território do inimigo?”
S
oraya ligou o carro, e entrei com as minhas bagagens no banco traseiro, eu não sabia que ela já dirigia, foi uma surpresa vê-la ao volante. Ela ligou a rádio e pediu para que colocássemos os cintos. Tudo era novidade para mim. Soso como ela gostava de ser chamada deu uma gargalhada e partiu com o carro em uma velocidade razoável.
No rádio tocava a música “Alala” do grupo Cansei de ser sexy. Ale cantava e pelo retrovisor eu encarava aqueles olhos verdes vívidos, eles ainda estavam verdes. Soraya percebeu que eu a observava e me lançou um olhar maléfico, erguendo uma das sobrancelhas castanhas, meu corpo estremeceu.
Durante o trajeto ninguém disse uma sílaba se quer. Curitiba era verde, com muitas árvores, praças e ônibus, além da linha férrea que cortava a cidade. Eu pensava em mil coisas ao mesmo tempo. Fechei os olhos.
Quando os abri, já estávamos chegando à garagem da casa delas. Ale dava tapinhas na minha cabeça, enquanto Soraya saía do carro batendo a porta com força.
-Dormiu? –perguntou Alessandra.
-Não!Apenas relaxei, essa viagem foi um pouco cansativa!-respondi, arrumando minha roupa.
-Ao ponto de dormir, certo? –ela perguntou dando gargalhadas.
-Digamos que sim! –respondi, tentando encerrar o assunto.
-Vai querer dormir no carro?Saia!Quero lhe apresentar os meus pais!- ela disse, arrumando os longos cabelos pretos e lisos.
-Claro que não vou dormir aqui, só estou aqui porque você está aqui!-eu disse.
-E eu só estou aqui porque você está aí, Dryck vamos sair!Venha!-ela disse me puxando.
Peguei as minhas malas e fechei o carro. Alessandra me conduziu até a sala onde o senhor e a senhora Priesly me aguardavam. Ele segurava um jornal enquanto ela arrumava o cabelo cacheado.
Senhora Priesly tinha os cabelos castanhos claro, uma aparência agradável e alegre, já o seu esposo era grisalho e tinhas olhos claros como os de Soraya, assim como a filha de olhos vívidos ele se mostrava descontente com a minha presença na casa deles. Cumprimentei-os e contei como foi a viagem. Miranda me fazia muitas perguntas e eu tentava respondê-las.
Ale me mostrou o quarto onde eu iria ficar. Era azul com cortinas de cetim num tom mais forte do que as paredes havia uma cama de casal e um enorme guarda-roupa de mogno, ainda havia uma escrivaninha com uma luminária. Achei espaçoso e confortável e Alessandra me disse:
-Mas, quando sentir saudade, corra para o meu quarto ao lado, hein?- e deu uma risada semelhante aquelas gueixas em filmes de ação.
-Pode deixar! O quarto da frente é o dos seus pais?-perguntei enquanto olhava a faixa amarela na porta do quarto vizinho.
-Claro que não!Olha a faixa escrita “não ultrapasse”!É o da Soraya, e ela já me xingou um monte, por ter que olhar para a sua cara logo pela manhã!Descanse bastante que á noite quero te levar na Medusa!
-Ela não precisa ver a minha cara se a porta estiver fechada!O que é isso, Medusa? –perguntei.
-Uma das casas noturnas mais badaladas do Paraná, e é claro que a Soraya levará a gente, mas ela não se importará porque a amiga dela, a Sabry está aqui em Curitiba nessas férias!-ela me disse batendo as unhas na escrivaninha, me fazendo arrepiar com o barulho.
-Aquela garota do RPG?-perguntei me lembrando que a garota que jogava como Vick Paz se chamava Sabry e ela e Soso eram como “unha e carne”, mas se Alessandra não parasse de arranhar o móvel, iríamos brigar.
-Sim! Apesar de todas as atitudes estranhas dela, não perderia a oportunidade de se divertir e conversar com a Sabry!Agora descanse e nos veremos mais tarde!Beijos, bebê! –ela me deu um “selinho” e saiu saltitando pelo corredor.
-Tchau!- eu disse fechando a porta.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Parte 05 – A chegada


Parte 05 – A chegada
“Curitiba me aguardava como se eu pudesse renovar o ambiente, talvez eu fosse mesmo o ‘Salvador da pátria’”.
 “P
or que eu não consigo dormir, quando eu penso em você? Por que eu não consigo agir quando falo sobre você?”.(Why Can´t I?).Estas eram algumas das dúvidas que pairavam sobre a minha cabeça durante o vôo.Tentei me concentrar,mas a ansiedade me matava aos poucos,sempre fui muito ansioso,mas parecia que a minha alma não era contida pelo meu corpo,todas as emoções queriam ser extravasadas.
Finalmente, consegui liberá-las quando desembarquei em Curitiba, puxava uma mala com rodinhas e segurava outra, observava as pessoas, mas obviamente não conhecia ninguém, nada era familiar, fiquei aflito. ”I´ve had the time of my life” era a música que eu ouvia tocar na rádio do aeroporto e na minha cabeça incluía as cenas de Dirty Dancing que se alternavam com as cenas imaginárias de Mia e Diego.
-É ele! – ouvi um grito no meio da multidão.
Olhei ao meu redor, fiquei vermelho e já começava a me preocupar. Eu nunca fui corajoso, daqueles que bancam o herói para impressionar os outros, sempre fui o tímido, medroso e ansioso. Percebi o rosto de Alessandra entre a multidão, nervoso pisei no meu próprio pé, sujando a “biqueira” do meu All Star Player Speciality, o que me deixou irritado.
Alessandra pegou a minha bagagem de mão, nos beijamos e ela me abraçou tão forte que parecia a história da rã em dia de chuva. Segundo essa história, a rã pode ficar grudada em uma pessoa por um longo tempo, e só sai se chove algo do tipo, acho que não era a rã e sim a perereca, mas isso não faz diferença, o fato era que as minhas costelas doíam. Eu estava um pouco constrangido e confuso. Logo,que nossos lábios se separaram, pude perceber a garota da foto, vindo em minha direção segurando um sorvete.
-Wendryck, estou tão feliz em te ver!-disse Alessandra, me abraçando e liberando a última quantidade de ar em meus pulmões.
-Eu também!-tentei retribuir o abraço apertado, mas além de quase encobri-la, a presença de Soraya me incomodava a cada passo que ela dava.
-Então, o meu médico chegou?-perguntou Soraya com ironia em suas palavras. -Eu não sei de onde vocês tiraram que esse “quatro olhos” aí fosse a cura do que chamam de estresse e eu não preciso de ninguém, nem de amigos,família,nada pois quem vai passar na universidade sou eu e sozinha!
-Ele veio para o seu bem, Soraya!E não faça vexame no aeroporto que todos já estão nos olhando, e se fizer showzinho vou pedir para que o papai lhe interne no hospício!-alertou Alessandra, lançando um olhar furioso á irmã.
-Danem-se todos!E você... - apontou o dedo indicador na minha direção-Não se aproxime de mim, ouviu?Você sabe muito bem e mais do que ninguém que eu sou perigosa, só não imagina a proporção da minha periculosidade!-disse Soraya, dando uma leve mordida no sorvete.
-E você não conta com a proporção da minha astúcia, mas pode deixar!-respondi seguramente, mas internamente não me sentia nada confortável com aquela situação e só de imaginar o que viria por aí, me desanimava.
“Hasta que me conociste” tocava agora no aeroporto, talvez a música ideal para esse encontro fosse “Linger”, mas de acordo com a música da Anahí eu discordava se valeu a pena encontrá-la e sofrer por ela.
Caminhei rapidamente em direção ao estacionamento, Ale me contava todos os lugares bons para ir passear em Curitiba. Soraya se deliciava com seu sorvete de groselha, pelo que parecia ser como se fosse uma criança em pleno domingo no parque de diversões. Ela era mais bonita com atitudes tolas do que quando abria a boca, poderia permanecer quieta e com feição ingênua para sempre, não podia?Entramos no Fox vermelho vibrante, as portas foram trancadas e o ar condicionado ligado, apesar de que não fazia tanto calor, mas para quem estava acostumado a viver no frio intenso, um breve raio de sol poderia torrar os “miolos”.

Parte 04 – O convite


Parte 04 – O convite
“Aquele convite daria novos rumos a nossa história, e eu causaria mais danos na família Curitibana...”
-M
eu coração, quem nunca amou não merece ser amado!-eu disse á Alessandra. -Quem semeia vento colhe sempre tempestade, isso já dizia Vinícius!
-Eu sei, mas os meus pais estão preocupados com a mudança do aspecto da Soso!Ela parece um zumbi!Ontem eram cinco e meia da manhã e ela já estava pronta para ir ao cursinho, ou seja, ela nem dormiu!-ela me respondeu.
A mudança repentina de comportamento fez com que eu pensasse em parar de “fazer mal” a Soraya, eu era o motivo de sua aspereza e loucura. Descobri que a causa de tanto estresse eram os resultados dos vestibulares concorridos para o curso de medicina que ainda não haviam saído e que os pais dela queriam levar a minha neurologista á um psiquiatra e isso só a deixava mais ‘revoltada’.
-Eles não podem fazer isso, esse estresse não é loucura... Talvez uma terapia a ajude!-eu disse.
-E quem disse que ela está louca?Eles estão com medo de que tanta fúria se transforme em depressão!-me disse Alessandra. -Acho que você poderia nos ajudar, ela sempre confiou em você mais do que na própria família!
-Como?-perguntei assustado, mas me senti muito honrado em saber que alguém depositava confiança em mim mais do que eu mesmo.
-Venha á Curitiba!Quando entrará em férias?-ela me perguntou.
-Na próxima semana!Mas, eu não tenho onde ficar aí, além do que eu estou economizando para publicar o meu livro!-respondi tentando escapar.
-Não importa!Você ficará em casa... Há anos aquele quarto de hóspedes não recebe ninguém!-ela me disse.
-E os seus pais?Eles não vão gostar!-tentei fugir mais uma vez.
-Todos nós queremos o bem dela, e se quiser você poderá transferir o curso para uma faculdade daqui!-ela me disse.
Percebi que aquilo iria demorar mais do que eu pensava. Tentei escapar mais uma vez...
-Eu não ficarei por muito tempo!Meus amigos, minha família... -falei.
-Se você contar o motivo tenho certeza de que todos vão lhe entender,faça isso por mim e por ela!
Era loucura demais, ir á um lugar onde eu nem conhecia pessoalmente as pessoas, apenas conhecia os seus “íntimos” digitados diariamente na rede de computadores. E se tudo isso fosse mentira?Se eles fossem uma família de canibais?E se elas não fossem as garotas da foto?Poderia ser tudo um jogo de bandidos, mas bandidos ficariam quatro anos enrolando alguém?Não pude resistir à tentação de conhecer os bastidores, decidi ir viajar.
-Tem razão, vou contar á eles e no próximo sábado pegarei um avião para o Paraná!-respondi.
Contei o que acontecia e para a minha surpresa não tive interrogações e nem choros. Todos compreenderam que era uma boa ação, talvez uma “missão humanitária”, mas ninguém, nem eu mesmo sabíamos o perigo que me esperava no Paraná.
Comecei a fazer as minhas malas, coloquei quase todo o meu guarda-roupa em duas malas enormes que ficaram super pesadas. A maior parte do meu vestuário eram roupas de verão, mesmo que eu soubesse que Curitiba era considerada uma parte européia esquecida no Brasil. Não tinha tempo para complementar minhas roupas de inverno e afinal estávamos em pleno verão, impossível que fizesse frio no calor, deveria me preocupar com isso quando o inverno chegasse de fato.
Fiz as malas, e parei para pensar que aquela era a minha maior loucura que poderia cometer, e que esta poderia ser fatal. Eu não buscava esclarecimentos, buscava?Estava muito confuso em relação às quais atitudes teria de tomar. Soraya e Alessandra precisavam de mim e isso era tão “Super Nanny”. Uma precisava da minha presença, e a outra do meu carinho e conforto, mas eu não sabia diferenciar quem precisava do quê. Este seria um grande problema que me atormentava, e se o mais louco dessa história fosse eu?Cheguei ao aeroporto de Cumbica em Campinas, e logo embarquei.

Conversación


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